sábado, 10 de novembro de 2012

Estudos Sobre o Batismo (parte 2) - Significado dos Termos no Grego Judaico






INTRODUÇÃO:

Estamos neste estudo respondendo à pergunta: Batizar é imergir?

Já vimos que no grego clássico a resposta é não. E vimos também que mesmo que o fosse isso não afetaria o sentido da palavra no NT, pois há várias palavras que receberam conotação diferente no NT do que tinham no grego de então: a palavra Logos e sarx (carne), são bons exemplos disso.

A palavra ceia, também recebeu novo sentido no NT. “Ceia”, nos tempos de Jesus, designava uma refeição completa, jamais significa comer um pedacinho de pão e beber um gole de vinho. Aqueles que “implicam” com o batismo com pouca água, por causa do sentido da palavra, deveriam também rever a celebração da ceia.

Charles Hodge, relacionando batismo e ceia, diz:
“Simplesmente, acreditamos que o modo de administrar o batismo é de importância relativa. Ou seja, não achamos que a validade dessa ordenança dependa da quantidade de água empregada ou do modo como a água é aplicada. 

Da mesma forma, a validade do outro sacramento – santa ceia – não depende do modo de administrá-lo. Supomos que todos aceitam essa maneira de ver a questão, pois se pode receber a santa ceia de pé, sentado, ajoelhado ou deitado; ao mesmo tempo em que se celebra um ágape [festa de fraternidade] ou não; na casa de um enfermo, na igreja ou no bosque; com mais ou menos pão ou com mais ou menos vinho.

Na verdade, não foi estabelecido um modo definido para celebrar a ceia do Senhor. Porém, o fato é que, segundo cremos, não há uma única denominação cristã que pretenda celebrá-la exatamente como o Senhor a instituiu. 

Por que, então, o modo deve ser tão importante quando se trata do batismo? Essa pergunta não tem resposta satisfatória. O modo de celebrar o batismo é, relativamente, de pouca importância. Há questões de muito maior relevância às quais devem dedicar-se os cristãos[1]

Vejamos, agora, o uso das palavras bapto e baptizo, no “grego judaico”, que é o que realmente importa para se definir o significado delas no NT, uma vez que os autores do mesmo eram judeus.

O SIGNIFICADO DE BATISMO NO “GREGO JUDAICO”:

Se quisermos entender o significado de uma palavra no NT, temos que verificar o uso dela na LXX (Septuaginta – tradução do AT para o grego – esta foi a Bíblia usada pelos autores do NT), bem como verificar o uso da mesma no Novo Testamento.

Pois bem, perguntamos: Batismo no “grego judaico” e no NT significa exclusivamente imergir? Respondemos: Definitivamente não!

Agora temos que tratar de provar a afirmação feita acima:

Vejamos o uso de bapto e baptizo na Septuaginta e nos apócrifos judaicos.

1 – Na LXX, em Daniel 4.25, é dito que “Nabucodonosor foi batizado [bapto] com o orvalho do Céu”. Claramente esse batismo não foi por imersão; mas o sentido da palavra batismo no texto é que o orvalho caiu sobre ele.

2 – No livro apócrifo de Judite, no capítulo 12, verso 7, é dito que Judite todas as noites ia a uma fonte e se batizava (baptizo).
                Se baptizo significa sempre imergir, então o autor está querendo dizer que ela mergulhava na fonte. Se porém o sentido da palavra pode ser purificar ou lavar, então o texto apenas está dizendo que ela fazia suas abluções na fonte; e estas abluções, purificações cerimoniais, eram feitas por aspersão, como veremos adiante.
A fonte estava dentro dos limites do arraial para o uso de um exército de imensas proporções (exército inimigo). Um acampamento cheio de soldados inimigos não é um lugar próprio para uma mulher se banhar, ainda mais de noite.

3 – Em Levítico 14.6 é dito: “Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo e os molhará no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes”. Na LXX a palavra traduzida por “molhar” é bapto. O texto diz, então, que uma ave viva, o pau de cedro e o estofo carmesim, deveriam ser batizados no sangue da ave que foi imolada.

É obvio que o sentido de bapto no texto não é imergir, porque é impossível imergir todas estas coisas no sangue de uma única ave.

Logo, temos aqui mais um exemplo do uso de bapto com um sentido de molhar e não de submergir.

4 – Na LXX, mesmo quando bapto significa submergir, não significa submersão completa (cfm. Lv 4.17, Rt 2.14, Js 3.15, 1Sm 14.27, Sl 68.23).

5 – O livro apócrifo de Eclesiástico, escrito em cerca de 150 a.C, deixa claro que a palavra baptizo era usada para descrever a purificação por aspersão. O texto diz: “Se aquele que se lava [batiza] após ter tocado num morto, torna a tocá-lo, de que lhe serve ter-se lavado [batizado]?”. Um irmão batista argumentaria agora que o batismo a que o texto se refere poderia ser por imersão. Contudo, o autor era judeu e ele estava fazendo referência à cerimônia de purificação ordenada na lei para o caso em que um homem tocasse no corpo de algum morto, e esta purificação era feita por aspersão, conforme se vê em Nm 19.13: “Todo aquele que tocar em algum morto (...) e não se purificar (...) será eliminado de Israel; porque a água purificadora não foi aspergida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia.” (veja também os versos 9, 11-12, 19 e 20).

O sentido do texto de Eclesiástico, então, é: “Se aquele que se asperge [batiza] após ter tocado num morto, torna a tocá-lo, de que lhe serve ter-se aspergido [batizado]?”.

6 – Os judeus, conforme vimos, usavam a palavra batismo para se referir às purificações por aspersão ordenadas no AT. Que estas purificações eram por aspersão, fica claro, além do que já foi mostrado acima (Nm 19), pelos seguintes textos: Ex 30.18-21; 2Cr 4.6; 1Rs 7.27-39. Estes dizem que as mãos e pés dos sacerdotes eram purificadas por água da bacia de bronze, da qual ela era derramada por meio de torneiras.

Portanto, batismo é sinônimo de purificação, a qual era por aspersão.


CONCLUSÃO:

            Respondendo à pergunta: No grego judaico batizar é imergir? Afirmamos que não.

Bapto e baptizo eram usados pelos judeus também no sentido de molhar e aspergir; e mais importante ainda, eram usados para se referir às purificações por aspersão no AT, purificações estas que são os antecedentes do batismo no NT.

            Quando Jesus ordena o batismo, ele o faz num contexto em que o termo era usado no sentido de aspergir ou derramar pelos judeus. E o Cristo, no entanto, não alterou o significado do vocábulo e não ordenou que tal batismo deveria ser por imersão. Isso só tem uma explicação: O próprio Cristo jamais pensou que o batismo deveria ser por imersão, mas por aspersão, conforme a prática e uso comum entre os judeus.

            Querer impor o batismo por imersão como a condição sine qua non para que o mesmo seja válido é fazer o cristianismo mais farisaico do que os fariseus jamais sonharam; pois estes faziam seus batismos por aspersão, sem problema algum.


No próximo estudo veremos o uso que os autores do NT fazem dos termos em questão.



BIBLIOGRAFIA

[1] Charles Hodge, O Batismo Cristão: Imersão ou Aspersão? (Editora Cultura Cristã)   

Outras fontes utilizadas neste estudo:

Charles Hodge, Teologia Sistemática (Editora Hagnos)

A. A. Hodge, Confissão de Fé de Westminster Comentada (Editora Os Puritanos)

LXX (Septuaginta): Programa Bible Works

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Estudos Sobre o Batismo (parte 1) - Significado dos Termos no Grego Clássico




INTRODUÇÃO

Este estudo é parte de uma série sobre a forma do batismo. A perspectiva do mesmo é a de uma defesa do batismo por aspersão. Nosso propósito não é polemizar ou ofender algum irmão que tenha pensamento diferente, mas dar a todos os que nos pedirem, uma razão da nossa fé.

Muitas vezes os imersionistas nos acusam de praticar um batismo não bíblico. Como entendemos que a forma de batismo é secundária, não damos muita ênfase à questão. Isso, às vezes, parece dar a impressão de que não estamos seguros da nossa posição, e que não podemos defendê-la pela Bíblia. Este estudo é uma resposta às acusações que sofremos.

É importante ressaltar que a Bíblia apenas ordena que se batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sem estabelecer nenhuma forma específica. Toda a discussão, portanto, gira em torno do significado da palavra batismo. O argumento mais conhecido dos imersionistas, especialmente os batistas, é que batizar é imergir, e imergir é batizar. Vamos, então, estudar o significado dos termos bapto e baptizo no grego clássico e no grego judaico para demonstrar que a questão não é tão simples como querem fazer parecer os imersionistas.

SIGNIFICADO DOS TERMOS NO GREGO CLÁSSICO:

Os batistas têm, historicamente, insistido que no grego clássico Bapto e baptizo significam imergir e que, portanto, quando Jesus ordenou que batizássemos os discípulos, ele ordenou que os imergíssemos. Eles estão tão certos de que a ordem é para imergir, que, alguns estudiosos batistas, chegam a ensinar que se não for possível imergir em água, deve-se imergir em areia.

Contudo, verificaremos que estes termos não significam exclusivamente imergir na literatura clássica.

O estudioso James W. Dale [1], em seu livro Classic Baptism, faz um extenso estudo do uso das palavras no grego clássico e dá vários exemplos em que são empregadas com outros sentidos que não imergir; eis apenas alguns [2]:

A água, quando é derramada sobre o vinho o batiza.
Sangue derramado sobre um lago o batiza (tinge)
Fala-se de alguém que batizou (tingiu) o cabelo
Um ator grego, segundo Aristófanes, batizava o seu rosto com a borra do vinho para pintá-lo
Um homem bêbado é um homem batizado (intoxicado ou sob a influencia do vinho)
Um homem que usou alguma droga foi batizado por ela
Um homem que bebe na fonte da Silenius se torna um homem batizado
Um homem envenenado foi batizado com o veneno
Uma pessoa preocupada com problemas, foi batizada por eles
            Plutarco fala de um homem que tendo imolado um inimigo ficou com as mãos batizadas com o seu sangue

            Em nenhum destes e de muitos outros casos, o sentido é de imersão. Seria absurdo traduzir cada um destes exemplos como imergir.

No grego clássico a palavra é usada em mais de cem sentidos diferentes. Para citar apenas alguns: tingir, morrer, intoxicar, envenenar, embriagar, sofrer um choque psicológico, estar oprimido pelo mal, pela raiva ou infortúnios, estar deprimido, sobregarregado, estar com sono, ser muito afetado por um evento, estar incapacitado, estar debilitado etc.

           O Dr. Dale define assim o termo batizar: "Tudo o que é capaz de mudar completamente o caráter, estado ou condição de qualquer objeto, é capaz de batizar esse objeto; e é por essa mudança de caráter, estado ou condição que de fato o batiza"

O significado da raiz da palavra grega sugerida por muitos estudiosos da Bíblia, é a "identificação", e não “submersão”. Nos exemplos dados acima, fica clara a ideia de identificação.

Contudo, vamos imaginar um cenário irreal, em que as palavras bapto e baptizo realmente significassem exclusivamente imergir (o que, conforme vimos, não é verdade); ainda teríamos um sério problema em estabelecer a forma de batismo por meio do uso destas palavras, pois em vários exemplos do uso no grego clássico, em que elas significam imersão, não significam submergir totalmente: há por exemplo no grego clássico o relato de soldados que foram batizados (imersos) até os peitos num brejo.

Mesmo que Jesus quisesse dizer, quando ordenou o batismo, que praticássemos a imersão, não significaria, pelo significado da palavra, que deveríamos imergir todo o corpo. Será que não significaria para imergir apenas o dedo? Ou os pés? Ou imergir o candidato só até o peito (como os soldados)?

E mais, pelo uso da palavra no grego clássico, Jesus poderia estar ordenando que o candidato bebesse a água, ao invés de ser imerso nela (como no caso de quem era batizado por beber um veneno ou a água da fonte de Silene), ou que a mesma fosse aplicada apenas ao seu rosto, como fazia o ator com a borra do vinho. Vê-se que pelo significado da palavra no grego clássico nada pode ser estabelecido quanto à forma do batismo.

Outro problema com a tentativa de estabelecer a imersão, como única forma de batismo, por meio do uso dos termos bapto e baptizo no grego clássico, é que o Novo Testamento não foi escrito em grego clássico, mas no grego koinê, o grego helenístico, a “linguagem do mercado”. Este grego é muito diferente do clássico, muito mais do que o português do Brasil e de Portugal. Como as palavras mudam de sentido com o tempo, no português do Brasil e Portugal algumas palavras tem significados opostos [3]:

“Durex” no Brasil é fita adesiva, em Portugal é “preservativo”;
Se você quiser pedir uma “calcinha feminina” numa loja em Portugal terá que pedir uma “cueca”;
Se quiser ir ao “banheiro” terá que perguntar onde fica o “salva-vidas”;
Se vir um grupo de crianças pode dizer sem medo que são “canalhas”;
E por aí vai. As diferenças entre o grego clássico e o Koiné (o grego usado pelos judeus e pelos povos não-gregos do Império Romano nos dias de Jesus, no qual foi escrito o NT) são as mesmas.

Veja também alguns exemplos de palavras que mudaram de sentido com o tempo:

RIVAL: o sentido original desta palavra é simplesmente para designar habitantes de margens opostas de um rio. Hoje significa contendor.

SALÁRIO: era a quantidade de sal que se dava como pagamento aos trabalhadores. Modernamente, passou a significar ordenado.

QUARTO: esta palavra era usada para determinar a quarta parte. Hoje, as casas tem dois quartos, três quartos e outros cômodos maiores, como a sala, por exemplo.

LENÇOL: Por incrível que pareça, lençol vem do latim “linteolu” e é o diminutivo de lenço.

MARECHAL: etimologicamente significa “o tratador de cavalos”. Entretanto, o seu sentido se enobreceu e o vocábulo indica hoje o mais alto posto do exército.

RESUMINDO:

Os batistas dizem que “batizar é imergir e imergir é batizar”. Isso é verdade? Não no grego clássico, em que, conforme vimos, a palavra tinha sentidos variados. Contudo, mesmo que fosse verdade, isso não provaria nada, pois o grego dos judeus e dos autores do Novo Testamento não era o clássico, mas o koinê. O sentido de uma palavra no grego clássico pode ajudar a esclarecer, mas não pode, jamais, definir o sentido de uma palavra no NT.

(continua)

BIBLIOGRAFIA:

[1] Classic Baptism (An inquiry Into The meaning of the word Baptizo. As determined by the usage of Classical Greek Writers). Veja também seus outros dois livros: Judaic Baptism e Johannic Baptism.

[2] Para ver algumas fontes e exemplos destes usos nos clássicos pode consultar, além do referido livro, este link (em inglês): http://www.benkeshet.com/webhelp_baptism/WebHelp/The_Meaning_of_Baptizo/chpte10_baptizo_old.htm

[3] Adaptado de http://www.recantodasletras.com.br/artigos/382345.

certamente há outras fontes às quais devo algo, mas não me lembro no momento...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Desabafo de Um Presbítero, não-tão-Velho-Assim, à Beira da Surdez




Observações sobre Ritmos e o "Louvor" na Liturgia


Desabafo de Um Presbítero, não-tão-Velho-Assim, à Beira da Surdez 
Alguns anos atrás um jovem escreveu-me perguntando qual a minha opinião sobre a utilização de cânticos com ritmos mais acentuados, na liturgia, e sobre o período normalmente chamado de “louvor”, em nossas igrejas. Na realidade, a pergunta dele foi: “São todos os ritmos apropriados ao louvor, na igreja?”.
(...)

Quando procuramos na Palavra de Deus não encontramos restrição ou classificação intrínseca de ritmos, como existindo os que são “maus”, e os que são “bons”. (...)

A realidade é que a Bíblia parece aceitar a utilização de ritmos na adoração. Com certeza existiam os Salmos “mais agitados” e os “mais lentos’. (...) Assim, qualquer investigação sem ideias preconcebidas, verificará que instrumentos diversos e variados foram utilizados pelos fiéis e aceitos por Deus, na adoração de sua pessoa.

Entretanto, independentemente da letra, existe uma empatia entre melodia e ritmo, e o estado de espírito provocado nos cantantes/adoradores. Ou seja, um ritmo agitado em uma hora de contrição é uma contradição de bom senso (algo há muito perdido em nossas igrejas). Não deveríamos precisar de uma profunda exposição teológica para substanciar isso. Um ritmo lento, ou em tom (clave) menor, numa ocasião de festa, de acampamento, por ocasião de uma caminhada, é também uma contradição de bom senso. Quando esse julgamento é quebrado, na igreja, faz-se também violência aos que estão sinceramente procurando adorar.

O Salmo 33.3 nos orienta a cantar “com arte” (qualidade, propriedade, musicalidade, harmonia) e “com júbilo” (entusiasmo). Isso nos indica que intensa qualidade musical deve ser objetivada no louvor a Deus e, por outro lado, que é um erro equacionarmos espiritualidade, com um cântico “morto” destituído de entusiasmo, sem o envolvimento de todo o nosso ser.

A maioria dos Salmos possui títulos que (...) muitas vezes, classificam aqueles cânticos quanto às diferentes ocasiões nas quais deveriam ser entoados. A indicação parece ser a de que existiam melodias e ritmos próprios para cada situação, por exemplo:“cântico de romagem [marcha]” (Salmo 120); “salmo didático, para cítara” (Salmo 53); “para instrumento de corda” (Salmo 4); “para flautas” (Salmo 5). Cada dirigente de música ou líder eclesiástico, em nossas igrejas, deveria levar essa questão em consideração utilizando a massa cinzenta que Deus lhes deu para discernir os ritmos apropriados e impedir aberrações na liturgia.

No que diz respeito à letra, as Escrituras dão considerável ênfase à linguagem dos cânticos. Em Efésios 5:19, a força da prescrição está na comunicação que os cânticos devem apresentar:  “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais”.
Ou seja, é totalmente destituído de valor o cântico no qual não existe concentração na letra, ou quando esta não reflete os ensinamentos da Palavra, ou quando é entoado mecanicamente, só pelo ritmo ou melodia.

A passagem paralela, em Colossenses 3:16, também enfatiza o aspecto de comunicação e exortação através dos cânticos, sempre fundamentados na Palavra de Deus (ou, como traz o texto, na Palavra de Cristo): “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.  Não resta dúvida, pois, que as letras, ou as palavras, devem refletir os ensinamentos bíblicos e comunicar coisas inteligíveis aos participantes. Hinos, corinhos, cânticos que não comunicam ou que têm palavras antigas, anacrônicas, obsoletas, obscuras ou hebraismos / helenismos desconhecidos dos que cantam e/ou ouvem -- fogem à característica bíblica da adoração, na qual a comunicação é parte importantíssima. Vale a pena, portanto, perguntarmos, será que todos sabem, mesmo, o que é El-Shadai? E o que deveríamos pensar do “...lá, lá, lá, lá...” tão frequente nos cânticos contemporâneos? Estão comunicando o que?

O grande problema contemporâneo que encontramos, acredito, reside em dois pontos cruciais: (1) Um anacronismo enrustido de uns – esses acham que algo para ser bom, cristão e próprio tem que ser velho e maçante; (2) Uma ingenuidade gratuita de outros, que, se deixada ao bel-prazer, vira arrogância e descaso pelo bem estar espiritual dos demais irmãos. Esses demonstram desconsideração para com a sanidade estética, mental e auditiva dos fiéis. Esses ingênuos arrogantes, aceitam QUALQUER RÍTMO, desde que “cristianizado” ou “biblicizado” – como sendo legítimo e apropriado a qualquer hora. O mais aberrante é a mistura indiscriminada de ritmos, um atrás do outro, sem uma direção ou conceito maior de que o objetivo global é levar os fiéis aos diversos estágios de adoração com transição suave e racional, entre um momento e o seguinte.

É nesse sentido que o momento de “louvor” torna-se, para muitos, uma verdadeira “hora da tortura”. É verdade que muitos participam ativamente, mas são inconseqüentemente liderados por dirigentes que não colocaram o mínimo esforço na seleção e verificação do que seria cantado, e nem se preocuparam na adequação dos cânticos com o momento, ou local. Isso sem falar na existência de verdadeiras “trash gospel songs”, que não passariam no mais brando teste de qualidade musical, sob qualquer critério, mesmo o secular, não evangélico.

Em outras palavras, a tônica atual é de espontaneidade, como se espontaneidade fosse sinônimo de “espiritualidade”. Nem a rigidez estéril e cadavérica é “espiritual” nem a aleatoriedade desregrada. 

(...) Mas, nos dias de hoje, o momento de louvor é levado como se fosse uma hora independente de “vale tudo” divorciado dos demais aspectos do culto. Reconhecemos que, às vezes, pastores e líderes criteriosos se preocupam com as palavras dos cânticos. Isso é bom e necessário, mas não é o suficiente. Quem está fazendo a seleção e a adequação dos ritmos? Quem está preocupado com a qualidade musical? Quem está selecionando os cantores (normalmente, canta quem quer ou se auto-impõe, quer tenha voz, quer não)? Quem está orientando os líderes da “hora do louvor” para que sejam líderes de cânticos (se têm competência para tal) e não fontes de sermões, puxões de orelha em irmãos de cabeça branca, ou passíveis de arroubos “espirituais” que, em muitas ocasiões, contradizem todos os ditames doutrinários da denominação que os abriga? Quem tem a mão no botão de controle do volume? É necessário que toda a congregação tenha de ficar refém e à mercê da sub-sensibilidade auditiva de alguns?  

Acredito que podemos ser consideravelmente abrangentes na nossa aceitação de ritmos e melodias. Creio que podemos louvar a Deus de muitas maneiras e formas, expressando toda a variedade recebida dele, em nossa formação cultural e nacional. Mas louvor é coisa séria e essas questões acima não podem simplesmente ser ignoradas. Muitas igrejas não deixariam um pastor qualquer subir no seu púlpito e pregar um sermão aos fiéis. Exigem preparo, referência, anos de seminário, aprovação por um presbitério, tutores, orientadores, testes, etc. Mas escancaram as portas para o doutrinamento e a palavra de autoridade advinda de pessoas que podem até estar cheias de sinceridade, mas igualmente repletas de inexperiência e falta de preparo para orientarem doutrinariamente o povo de Deus.

Uma outra questão, que tem que ser aferida, é a utilização de músicas conhecidas com letras evangélicas. Sabemos que isso ocorre nos hinos, de uma forma geral. Por exemplo, nosso antigo hino: “Da linda pátria estou, bem longe...”é uma canção folclórica Norte Americana, bem como o Hino No. 113: “Achei um bom amigo”. Assim, muitos outros hinos nossos procedem do folclore de outras nações. (...) Entretanto, quando a música utilizada é contemporânea demais, é impossível divorciar a letra original do que está sendo cantado. Por exemplo, já cantei várias vezes, em diversas igrejas, a letra de “glória, glória, aleluia...” com a música de “Asa branca”. Só que toda vez que canto só me lembro de “Asa Branca” e de Luiz Gonzaga. Dita o bom senso que essa situação não conduz à plena adoração. Só essa constatação bastaria para mostrar que não é sábio trasladar músicas contemporâneas, de outras canções, para cânticos eclesiásticos.

Mas existe ainda uma falta de gosto total, de propriedade, de sabedoria e de avaliação do ridículo com transmutações na qual a associação é com ritmos e músicas que têm uma letra ou mensagem, às vezes, até imoral, sendo totalmente impossível o cântico sem a lembrança do original, corrompendo, em vez de edificar. Tal é o caso do “Segura o Tcham” que recebeu letra “evangélica”, na Bahia, como “Segura o Cão”. Parece brincadeira mas é verdade, ainda que tenha sido em uma “Igreja Universal”. Da forma como se encaminham as coisas, qualquer hora dessas essa moda chega no nosso meio.

Realmente, a questão de ritmos não é uma questão na qual a Bíblia legisla claramente. Cada um de nós, portanto, tem que formar a sua própria opinião, sempre procurando os valores maiores expressos na Palavra de Deus, em nossos relacionamentos pessoais, sem nunca esquecer a primazia da verdade clara sobre nossas conclusões pessoais.

Por último, existe um outro aspecto de nossa liturgia que merece ser levantado. Alguém, em algum lugar, decidiu (e não extraiu da Palavra) que os cânticos não podem estar mesclados com os diversos passos da liturgia, mas devem ser cantados de uma só vez, na chamada “hora de louvor”. Mais sério ainda, alguém achou que só se pode louvar a Deus em cânticos se estivermos em pé. Apesar de já ter dobrado o cabo da boa esperança, não estou tão velho assim, mas confesso que é difícil e me canso de ficar em pé 20, 30, às vezes 45 minutos seguidos, entre tentativas de concentração de Louvar a Deus afastando os pensamentos pouco santos contra o inventor que me obrigou a tal tortura. Hinos podem ser cantados sentados; mas “cânticos espirituais”, só podem ser entoados de pé. Alguém sabe quem legislou isso? Mereceria termos uma palavrinha com ele...


terça-feira, 11 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pr. Mark Driscoll - Pornografia - Frase



SEXUALIDADE E REFORMISSÃO
UMA CONVERSA FRANCA SOBRE PORNOGRAFIA E MASTURBAÇÃO
Pr. Mark Driscoll

Leiam o livro, é muito franco e bíblico quanto a este assunto.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Frases - Pensamentos - Norman Geisler: Ética Cristã




Algumas frases do Norman Geisler, escritor cristão, retiradas do seu livro Ética Cristã.
Sobre questões éticas quanto ao aborto, sexo e ação social dos cristãos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Algumas razões para não fazermos acepção de pessoas



Tiago 2.1-13

O cristão não deve fazer acepção de pessoas.

Tiago apresenta no verso 1 o assunto: a acepção de pessoas na Igreja 
nos versos 2 e 3 ele dá um exemplo de como isso acontecia na Igreja
do verso 4 em diante ele apresenta algumas razões para não fazermos acepção de pessoas:

I – Quando o fazemos, nos tornamos juízes tomados de perversos pensamentos
                Quando o fazemos, agimos com extrema injustiça, buscando nosso próprio interesse.
Favorecemos alguns, não por merecimento, mas por ganância:
ex: eles favoreciam os ricos que oprimiam os cristãos e blasfemavam o nome de Deus
Desfavorecemos outros, simplesmente porque não é vantajoso para nós favorecê-los.

II – Deus não faz acepção de pessoas: Ele escolheu os pobres
                A acepção menospreza aquele que Deus escolheu

III – A acepção é quebra do segundo maior mandamento: Amar o próximo
E Deus vai julgar nossas obras

Rev. Maurício de Almeida Soares

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre a preguiça dos cristãos...



“A Igreja é constituída de tal forma que cada membro é importante, e sua importância é vital. Por isso também chamo sua atenção para este assunto, em parte porque sinto que há uma curiosa tendência, hoje em dia, de membros da Igreja Cristã sentirem e pensarem que podem, por si mesmos, fazer muito pouco, e assim tendem a depender de outros para fazerem tudo por eles. Isto, naturalmente, é algo que é característico da vida moderna. Por exemplo, homens e mulheres não participam mais de esportes como costumavam. Em vez disso, hoje ficam na audiência, assistindo, enquanto outros jogam. Houve uma época em que as pessoas providenciavam seu próprio entretenimento, porém hoje dependem do rádio e da televisão para se distraírem. E receio que esta tendência está se manifestando até mesmo na Igreja Cristã. Dia a dia é mais evidente que a grande maioria está simplesmente cruzando os braços e esperando que uma ou duas pessoas façam tudo o que é necessário. Ora, obviamente isto é uma negação completa de tudo o que o Novo Testamento apresenta a respeito da doutrina da Igreja como o Corpo de Cristo, em que cada membro tem responsabilidades, tem uma função, e é de importância vital. Vocês podem ler a grande exposição desta doutrina pelo apóstolo, por exemplo em 1Co 12, onde ele declara que nossos membros menos decorosos são tão importantes quanto os mais atraentes, que cada membro do corpo deve operar, deve estar preparado para ser usado pelo Mestre, e estar sempre pronto para ser usado”  

Avivamento, D. M. Lloyd-Jones (editora PES).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sermão em mp3: Atitudes do Verdadeiro Cristão com Relação ao Evangelho - Rm 1.14-16



Sermão em mp3: Atitudes do Verdadeiro Cristão com Relação ao Evangelho - Rm 1.14-16.
Esta mensagem eu preguei na Igreja Presbiteriana em São José do Calçado-ES.


Romanos 1.14-16

     Atitudes do Verdadeiro Cristão com Relação ao Evangelho:

Ilustração: Um nome Salva Vidas:
  em 5 de dezembro de 1664 o navio inglês “Menai” afundou numa tempestade, dos 81 passageiros um só se salvou: Ugo Williams (no original Hugh Williams).
  Na mesma data em dezembro de 1875, um navio foi de encontro às rochas de uma ilha no mar da Irlanda, havia 60 pessoas à bordo e entre elas um homem de nome Ugo Willians e sua família. somente o Ugo Williams sobreviveu.
  Em 5 de agosto de 1820 um navio de passeio se chocou com uma barca carvoeira no Rio Tâmisa na Inglaterra e afundou, eram 25 passageiros, o pequeno Ugo Williams de 5 anos foi o único sobrevivente.
  19 de agosto de 1889, um barco carvoeiro afundou com 9 passageiros, tio e sobrinho ambos de nome Ugo Williams foram os únicos que escaparam com vida.
  MORAL: Vc deve estar pensando que Ugo Williams é um nome salva-vidas; mas há um problema: este nome só pode salvar quem o possui. Mas nós conhecemos um nome que está acima de todo nome e é o único nome que de fato pode salvar os outros: Jesus Cristo. este é o verdadeiro nome salva-vidas e ele pode salvar vc.


I - Reconhece a sua dívida para com o mundo
"Sou devedor..."

   A primeira frase apresenta a atitude de Paulo para com os habitantes do mundo do ponto de vista de sua responsabilidade para com eles.


1 – A gregos (sábios)

2 – A bárbaros (ignorantes)

minha cultura, minha língua, meu povo.
Minha família, meus amigos.
outras culturas,  povos, línguas,  nações inimigas.
Gregos e bárbaros incluem o mundo inteiro.

  Paulo era devedor ao mundo.
     Tinha uma incumbência: (v. 16) pregar o Evangelho.
Não apenas Paulo, mas todos nós somos devedores a todos.  
Nossa missão é evangelizar o mundo.
    Jesus disse: “Sereis minhas testemunhas”, “Fazei discípulos”


  II - Está pronto a pagar o que deve
"Estou pronto..."

A segunda frase apresenta a atitude de Paulo para com a sua responsabilidade. Ele não quer fugir ao pagamento de sua dívida como um caloteiro. Ele está pronto a pagar o que deve.
  De um lado de sua prontidão estão os seus recursos e do outro lado as suas oportunidades.
  
1 - pronto com os recursos
“quanto há em mim”

  A capacidade de quitar uma dívida depende do nosso capital
  O capital de Paulo: “quanto está em mim” – mais que um dizimista.
      Aquele que pensa que irá pagar a sua dívida com ofertas esporádicas ainda não sentiu o peso da sua responsabilidade.

  Quais os nossos recursos?
Dinheiro (gastamos mais com coca-cola do que com missões)
Orações (gastamos mais tempo com futebol, novela, facebook etc. do que intercedendo)
Vida/tempo (você foi chamado para ser um missionário – onde?)
  Muitas vezes dizemos: “Senhor, estou quase pronto, deixa-me ir primeiro...”
   Mas Paulo disse: "estou pronto"

2 - Pronto a aproveitar as oportunidades
 “pronto a anunciar o Evangelho”

  Paulo já tinha trabalhado incansavelmente... mas agora queria ir a Roma e Espanha pregar e orava para que Deus abrisse portas.
quais são as portas que Deus tem aberto para nós (para investir dinheiro, orações e vida/tempo)?
  Por que aproveita-las?
Por que cada oportunidade perdida pode significar o inferno...
Por que cada oportunidade perdida é um ato de desobediência.

Ilustração: Moravios: séc. 18 na Alemanha, movimento de oração continua (24 horas) – Avivamento durou 100 anos.
Mais de 2150 membros de sua igreja foram enviados como missionários: pessoas simples e comuns: coveiro, lavrador, sapateiro, oleiro.
  Dois jovens com cerca de 20 anos ouviram sobre uma ilha no Leste da India onde 3000 africanos trabalhavam como escravo e cujo dono era um Britânico agricultor e ateu... Eles foram àquele homem pedir autorização para irem pregar aos negros em sua ilha, ele negou, então eles se venderam a ele como escravos para poderem evangelizar aqueles 3 mil homens.
   No dia em que eles embarcavam no porto seus amigos e familiares lhes perguntaram Pq vcs estão fazendo isso? e a resposta foi:
"para que o Cordeiro que foi imolado receba a recompensa por seu sacrifício através das nossas vidas".
  Hoje os pastores fazem discoteca na Ig para atrair os jovens... Perdemos o senso de dívida e urgência em pregar...

  A terceira frase apresenta a atitude de Paulo para com as opiniões dos homens.
  O Ev era loucura. O crente era ridicularizado e sofria oposição.
III - É valente pela causa do Evangelho
 “pois não me envergonho do Evangelho”

1 - Por causa daquilo que o Evangelho é
“Boas Novas”
     Os homens não se envergonham de trazerem boas notícias.
Ilustração: ALEXAMENOS CEBETE THEON (Alexamenos adora a Deus)
Grafito do 2º séc. descoberto no monte Palatino em Roma onde foi uma escola para pajens imperiais. 

 ainda que os outros zombem, não devemos nos envergonhar do Evangelho.

2 - Por causa daquilo que o Evangelho faz
“poder de Deus para a salvação”.  
         
     Os homens não se envergonham de nada que demonstre poder.
  Ilustração: Quando Fulton lançou no rio Hudson, em 1807, o primeiro barco a vapor os expectadores o ridicularizaram, chamando-lhe “A Tolice de Fulton”, mas quando o barco partiu da margem e subiu a correnteza, o povo o aclamou.
  Se o barco tivesse sido levado, Fulton poderia ter se envergonhado; mas nenhum homem se envergonha de ter poder.

  Ilustração: Robert Oppenheimer - um dos cientistas que desenvolveram a Bomba atômica, por ocasião do teste da mesma no Deserto do novo México em 1945, quando viu o sucesso da bomba pensou: “Agora eu me tornei a morte, o destruidor de mundos”
  Pouco depois duas destas bombas matariam 200 mil pessoas em Hiroshima e Nagasaki.
   Ele se envergonhou pq inventou algo poderoso, mas de um poder para a morte.
Nós não devemos nos envergonhar do Evangelho pq ele é o poder de Deus para a salvação, para a vida.

  Portanto, por que se envergonhar do poder de Deus para a salvação?
  Este Ev. Transformou Paulo, Agostinho e tantos outros.

Hj muitos se envergonham do evangelho.
  Outros envergonham o Evangelho.

  Essas tem sido nossas atitudes até agora; a questão é qual será a nossa atitude a partir de agora?






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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Como saber se a nossa religião é verdadeira?

Tiago 1.27-2.1 e 5

Tiago neste texto fala sobre a religião verdadeira ("pura e sem mácula"), este termo traz algumas implicações:

1 - Falar em religião verdadeira, implica que há religião falsa.
      Nem toda expressão religiosa é boa. Nem todos os caminhos levam a Deus. A ideia pós-moderna de que religião não é importante, é equivocada. O homem não chegará a Deus seguindo uma religião falsa, tanto quanto um homem que comprou uma passagem para Ramos poderia chegar a Roma.

2 - Falar em religião pura em sem mácula implica haver religião misturada (verdade e erro sendo ensinados juntamente)
      Nem tudo que leva o nome de cristão e cristianismo é verdadeiro. Há muitas expressões do cristianismo que são misturadas com tradições humanas, paganismo etc.

3 - Implica que eu posso ser membro de uma Igreja falsa, por isso tenho de avaliar as doutrinas e práticas desta igreja e verificar se estão de acordo com o que a Bíblia ensina, como faziam os crentes de Beréia no livro de Atos (17.11). 

4 - Implica que eu posso ser membro de uma Igreja verdadeira e ainda assim estar enganado, vivendo uma religião vã. por isso tenho de sondar a mim mesmo, fé, convicções e práticas à luz da Palavra (1Co 11.28; Sl 19.11-14 e Sl 139.23-24)

5 - Implica que a religião verdadeira é mais do que apenas uma profissão de fé.
     Segundo Tiago a religião cristã vai se manifestar na vida do homem em atos de misericórdia, boas obras e santidade, e não apenas em dizer que tem fé em Cristo.

O termo religião está tão desgastado nos nossos dias e muitos fazem careta quando o ouvem, exatamente pelo fato de haver muitas falsas religiões, inúteis e demoníacas, e até falsas expressões do cristianismo na vida de indivíduos que pertencem a igrejas sérias. 

Num tempo de tantas falsas religiões, e neste sentido de olhar para nós mesmos, e sondarmos a nossa religiosidade, perguntamos:

Como saber se a nossa religião é verdadeira?


E a resposta de Tiago é que:


Uma das maiores implicações da religião verdadeira é que ela renova em nós a imagem de Deus

Quero conduzir vc numa série de perguntas, dentro deste texto de Tiago 1.27-2.1 e 5, para levá-lo a verificar se a sua religião é verdadeira e corrigir as falhas.

I – Sua religião produz em você os mesmos interesses que Deus tem, ou seja, o cuidado com os necessitados? (veja Tg 1.27)
       Tiago fala que a verdadeira religião se expressa na vida do cristão por meio do cuidado com os necessitados: "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações".
       É este o seu interesse? quantas vezes passamos pelas pessoas que sofrem e não paramos nossos afazeres para cuidar delas?
       Lembre-se da parábola do bom samaritano: aquele que amou o seu próximo foi, não o líder religioso, mas o inimigo que parou e socorreu o necessitado.
       Deus ama o órfão e a viúva, símbolo de todos os desamparados e esquecidos, e deseja cuidar deles por meio de sua Igreja. Se somos cristãos verdadeiros, devemos ter o mesmo cuidado que ele tem.

II – Sua religião molda em você o caráter de Deus, ou seja, Santidade? (veja Tg 1.27)
        "a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"
        Tiago diz que religião sem santificação é falsa, mentirosa e maculada.
        O autor de Hebreus ensina a mesma verdade quando diz: "Segui (...) a santificação, sem a qual, ninguém verá o Senhor" (12.14)
         vc tem crescido em santidade? tem odiado e abandonado o pecado e crescido em fazer o que agrada a Deus?

III – Sua religião leva você a ter o mesmo critério que Deus tem no trato com os outros, ou seja, não olhar as aparências? (veja Tg 2.1-5)
         É fácil amar o rico cheiroso e desprezar o pobre andrajoso.
         qual tem sido a sua atitude? vc tem julgado o livro pela capa? tem julgado conforme as aparências? É mais um dos que adulam os ricos e poderosos e desprezam o pobre?

sábado, 24 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

domingo, 4 de março de 2012

Contraste entre o convertido e o convencido no que diz respeito à prática da vida cristã

Tiago 1.19-27

Depois de falar sobre a postura do crente na provação, visando corrigir o problema do modo como os crentes encaravam a provação, agora Tiago vai falar, do verso 19 até o cap. 2.26 sobre a fé cristã na prática.

Aqui, Tiago quer corrigir outro problema: o perigo de considerar sem importância a manifestação prática da fé. Perigo este bem presente em nossos dias também.
                Ele visa a fé em ação.
                Em Cristo não há ramos mortos ou sem seiva; a fé não é uma graça ociosa; onde quer que esteja, gera fruto em obras.
                Esta mensagem é atualíssima, pois hoje há aqueles que:
falam de santidade mas são hipócritas;
professam o amor e não vivem em paz com os irmãos
ostentam muita fraseologia religiosa mas não tem filantropia prática
Hoje ainda há os adeptos ao Misticismo, que negligencia o sacrifício; e ao 
Antinomianismo: que crê na graça mas não prega a necessidade de uma vida pura.
Enfim, todos os que são fortes na teoria e fracos na prática devem estudar à exaustão a Epístola de Tiago até apresentarem obras dignas em sua vida.

Há muitos que carregam o nome de cristãos, mas nem todo membro de igreja é convertido de fato. Neste texto Tiago traça um contraste entre o convertido e o convencido no que diz respeito à prática da vida cristã:

I – o convertido é pronto para ouvir, o convencido não (v. 19, 21)
                O convencido não tem disposição para ouvir a pregação da palavra e não tem disposição para ouvir a exortação dos outros para que sua vida esteja de acordo com a Palavra.

II – o convertido procura dominar a sua língua, o convencido é pronto para falar (v. 19 e 26)
                Ele não põe freio na língua
                É pronto para falar mal dos outros
Na Grécia Antiga, Sócrates detinha uma alta reputação e era estimado pela sua sabedoria. Um dia, um conhecido do grande filósofo aproximou-se dele e disse:
- Sócrates, sabe o que eu acabei de ouvir acerca daquele seu amigo?
- Espere um minuto - respondeu Sócrates - Antes que você me diga alguma coisa, gostaria de fazer o "Teste do Filtro Triplo".
- Filtro Triplo?
- Sim - continuou Sócrates - Antes que você me fale do meu amigo talvez fosse uma boa idéia parar um momento e filtrar o que vai dizer.
O primeiro filtro é VERDADE. Você tem a certeza absoluta de que aquilo que vai dizer é perfeitamente verdadeiro?
- Não - disse o homem - o que acontece é que eu ouvi dizer que...
- Então - disse Sócrates - não sabe se é verdade.
- Passemos ao segundo filtro, que é BONDADE... O que vai dizer sobre o meu amigo é BOM?
- Não, muito pelo contrário...
- Então - continuou Sócrates - Quer dizer-me algo mau sobre ele e ainda por cima nem sabe se é ou não verdadeiro? Mas, bem, pode ser que ainda passes o terceiro filtro.
- O último filtro é UTILIDADE...
- O que vai dizer sobre o meu amigo será útil para mim?
- Não, acho que não...
- Bem - concluiu Sócrates
- se o que me dirá não é nem bom, nem útil e muito menos verdadeiro, para quê dizer?
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Veja o que dizem as Escrituras sobre o filtro triplo de Sócrates:
1 – O que vou dizer é VERDADE?
“Por isso não mintam mais. Que cada um diga a verdade para o seu irmão na fé, pois todos nós somos membros do corpo de Cristo!”  Ef 4.25.
2 – O que vou dizer é BOM?
“Meus irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala mal do seu irmão em Cristo ou o julga está falando mal da lei e julgando-a.” Tg 4.11.
“Quem quiser gozar a vida e ter dias felizes não fale coisas más e não conte mentiras” 1 Pe 3.10.
3 – O que vou dizer é ÚTIL para a pessoa a quem falo?
“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.” Ef 4.29.

Se Sócrates, um pagão sem a luz do Evangelho, conseguiu algo tão sábio. Porque você e eu, que somos cristãos, não fazemos o mesmo? 

III – o convertido tem domínio próprio, o convencido é iracundo (v.19-20)
                Ira-se facilmente com os irmãos, e com pressa, rapidez.
                 
IV – O convertido é perseverante em praticar a Palavra, o convencido é um ouvinte negligente da mesma (v. 22-24)
                Os espelhos do mundo antigo não refletiam da mesma forma que hoje, a imagem era embaçada, distorcida. por isso, se alguém desse uma olhada rápida no espelho, não perceberia muito sobre si mesma.
                          assim é o ouvinte negligente, não dedica tempo para ouvir o que a Palavra tem a dizer sobre ele, logo se retira.
                           não se vê ao ouvir a Palavra; não percebe que ela é um espelho a mostrar as nossas deficiências e o que precisamos corrigir em nossa vida.
Não concerta o que precisa ser consertado e para logo se esquece.

V – O convertido é, o convencido acha que é (v. 26)
            Veja as expressões que Tiago usa: “Supõe ser” e “enganando o próprio coração”.
            Ele fala de alguém que pensa que é um cristão verdadeiro, que é um salvo, mas está completamente enganado.
           há uma imensa diferença entre achar que se é um cristão e o ser de fato. Para Tiago a questão não é apenas se declarar cristão, mas viver como um verdadeiro discípulo de Cristo.

VI – A religião do convertido é pura e sem mácula, a religião do convencido é falsa e infrutífera (v. 26)
                É falsa pq não pode salvá-lo
                É infrutífera pq não o leva a praticar a palavra (boas obras)
O convertido ama as boas obras, o convencido ama a aparência de piedade (v. 27a)
o convertido busca a santidade, o convencido ama o pecado (v. 21 e 27b)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Recursos importantes que só a verdadeira sabedoria nos dá para enfrentarmos a provação:

Tiago 1.1-18


Recursos importantes que só a verdadeira sabedoria nos dá para enfrentarmos a provação:

I – Sentimento correto: alegria (v.2);
           Sentir alegria nas provas é contrário à natureza humana. No geral, nos alegramos quando as coisas vão bem e nos entristecemos quando vão mal. 
           Mas a sabedoria do alto nos capacita e ver e sentir as coisas de um modo diferente. Nos faz desenvolver uma alegria que independe das circunstancias.
           Se você está passando por tribulação, ao invés de se queixar com Deus e lamentar apenas, peça a Ele que lhe dê a sabedoria necessária para que, tendo em vista o alvo a ser alcançado em sua vida por meio da prova, você possa se alegrar nele.

II – Atitude correta: perseverança (v.3);
          Na parábola do semeador, Jesus fala sobre aqueles que recebem a Palavra com alegria, mas em vindo as dificuldades eles desanimam e abandonam a fé recém abraçada.
          O apóstolo Paulo se queixa em uma de suas cartas de que um de seus cooperadores diretos, Demas, tendo amado o presente século, o abandonou.
          O autor de Hebreus exorta seus leitores a não desanimarem nas provas e deixarem de congregar, como alguns já estavam fazendo em seu tempo, mas que se consagrassem ainda mais e ajudassem uns aos outros.
          É um fato que se pode comprovar ainda hoje que nem todo o que se diz cristão, consegue perseverar em meio à tribulação. Por isso esta palavra de Tiago, de que nas provas devemos assumir de antemão a atitude de perseverar até o fim, é atual e indispensável. Que nos apeguemos à palavra de Jesus no Apocalipse: "Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida."

III – Alvo correto: maturidade (v.4)
a) Nas provações nossa fé é testada – v. 3 – como o foi a de Abraão.
b) As provações trabalham por nós e não contra nós, visto que produzem perseverança – Tudo tem um propósito. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus…”. Paulo diz ainda que a nossa leve momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória.
c) As provações visam nos levar à maturidade – Romanos 5:3-5 perseverança, experiência e esperança – levam-nos à maturidade.
Os crentes imaturos são sempre impacientes (Abraão coabitou com Hagar, Moisés matou o egípcio e Pedro quase matou Malco). Maturidade não se alcança apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas!
d) As provações visam a glória de Deus – Temos alguns exemplos disso na Bíblia: o cego de nascença. Jesus disse que ele nasceu cego para que nele se manifestasse a glória de Deus. De Lázaro Jesus disse: “Esta enfermidade não é para a morte, mas para a glória de Deus.” Jó, ainda em meio ao sofrimento, disse: “Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem.”
  
IV – Suprimento correto: Sabedoria (v.5)
A necessidade da sabedoria ao passar por provações
O que é sabedoria? É mais que conhecimento. Sabedoria é o uso correto do conhecimento. Conhecimento é conhecer a Bíblia bem. Sabedoria é usar a Bíblia bem. Sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus. O sábio busca maturidade e não prazer. Há pessoas cultas e tolas. Há pessoas que têm erudição, mas não sabem viver a vida nem fazer escolhas certas. Sábio é aquele que pratica a piedade e faz o que é agradável a Deus.

V – Perspectiva correta: olhar para o alto (v.9-12)
          Tiago aplica o princípio da sabedoria nas provas em duas circunstâncias específicas: cristãos pobres e cristãos ricos. Dinheiro e status eram problemas reais entre aqueles irmãos (2:1-7, 15-16; 4:1-3; 5:1-8).
O pobre deve gloriar-se pelo que tem permanente no céu. O rico pelo que não tem permanente na terra.
O pobre deve gloriar-se na sua dignidade, o rico na sua insignificância.
Não é tolo aquele que perde o que não pode acumular, para ganhar o que não pode perder. O pobre ao ser provado diz: mas quão rico eu sou. O rico ao ser provado pelas glórias do mundo diz: mas quão vulnerável eu sou.
           Cada um olha para a sua vida na perspectiva da eternidade.
           Tiago leva o rico a perceber sua fragilidade, dependência de Deus e a instabilidade da sua riqueza.
           No verso 12 ele nos lembra que quando Deus nos prova é para o nosso bem, por isso somos bem-aventurados:
Quando somos provados desenvolvemos a paciência triunfadora.
Quando somos provados somos aprovados por Deus.
Quando somos provados somos galardoados por Deus
Quando somos provados temos a oportunidade de demonstrar o nosso amor por Deus.

VI – Cuidado correto: saber diferenciar provação de tentação (v.13-15)
Uma pessoa madura é paciente nas provas. Uma pessoa imatura transforma provas em tentações.
Provas são testes enviados por Deus. Tentações são armadilhas enviadas por Satanás e pela nossa natureza caída.
Não culpe a Deus pela tentação. Ele é absolutamente santo para ser tentado e ele é absolutamente amoroso para tentar. Deus nos prova como provou a Abraão, mas ele não nos tenta. A prova é para santificar. A tentação é para derrubar.

Tiago vê o pecado, não apenas como um ato, mas como um processo em quatro estágios
a) cobiça (1:14) – É desejar satisfazer um desejo fora da vontade de Deus. Comer é normal, glutonaria é pecado. Sexo no casamento é normal, sexo fora do casamento é pecado. Os desejos devem estar sob controle e não nos controlar.
b) Engano – (1:14) – Tiago usa uma figura para ilustrar o engano da tentação: A figura do caçador e do pescador que usa uma armadilha para atrair ou anzol com ísca para seduzir. Se Ló pudesse ver a ruína que estava por trás de Sodoma e se Davi pudesse ver a tragédia sobre a sua casa quando deitou-se com Bate-Seba eles jamais teriam caído. Precisamos identificar a arapuca do pecado e ísca do pecado.
c) O nascimento do pecado – (1:15)
d) Morte (1:16) – Vemos aqui a genealogia do pecado. A cobiça é a avó da morte. A morte é filha do pecado. O salário do pecado é a morte (Rm 6:23).

VII – Convicção correta: (v.16-18)
A bondade de Deus (v.17)
Tiago apresenta três fatos sobre a bondade de Deus:
a) Deus dá somente boas dádivas – Tudo o que Deus dá é bom, até as provas. O espinho na carne de Paulo foi um dom estranho, mas foi uma grande bênção para ele (2 Co 12:1-10).
b) Deus dá constantemente – O verbo “descendo” é um presente particípio = continua sempre descendo. Deus não dá seus dons apenas ocasionalmente, mas constantemente.
c) Deus não muda – Deus não pode mudar para pior porque ele é santo. Ele não pode mudar para melhor porque ele é perfeito.
v. 18: a nossa nova natureza nos capacita a andar em santidade.