segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus (Final)


TEXTO: ROMANOS 3.21-31
TEMA: Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus.

Clique aqui para ler: parte 1, parte 2, parte 3

Duas das razões pelas quais afirmamos que a justificação é a manifestação da justiça graciosa de Deus são: 

I – Porque a sua fonte é a graça. (21-24a)

II - Porque o seu fundamento é a obra de Cristo (24-26)

Mas, não apenas isto, a justificação é a manifestação da justiça graciosa de Deus:

III – Porque o único meio de recebê-la é a fé (22,26,28)

Este ensino percorre todo o NT e em Romanos ele é fundamental. Paulo, nesta mesma Epístola a repete várias vezes, como no cap. 5.1, quando diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”

Paulo apresenta a fé como um canal, um meio de nos apropriarmos dos méritos da obra de Cristo.
Não é a fé que nos justifica, a justificação é a resposta de Deus a nossa fé. Isto fica claro pelas repetidas afirmações de Paulo: “justiça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem” (v. 22) - “mediante a fé” (v. 25) – “para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (v.26).
É claro nestes textos que o homem só pode ser justificado por meio da fé, sendo a fé a única resposta humana que o habilita a ser justificado, esta verdade é afirmada também em várias outras passagens da Escritura: 

Romanos 4.5: "Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça."
Atos 13.39: "e, por meio dele [Cristo], todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés."
Gálatas 2.16: "sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado."
Filipenses 3.8-9: "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé"
Efésios 2.8-9: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;  não de obras, para que ninguém se glorie"
 
Duas perguntas se fazem necessárias agora:

1 – porque o único meio de ser justificado é a fé e não qualquer outra coisa, como amor, alegria ou humildade, ou mesmo obras?

Porque a fé é o oposto de depender de si mesmo; Wayne Grudem diz que, quando vamos a Cristo com fé, dizemos em essência o seguinte: ”Eu me entrego! Não mais dependerei de mim mesmo ou de minhas próprias obras. Eu sei que jamais me tornarei por mim mesmo justo diante de Deus. Portanto, Jesus, eu confio em ti e dependo de ti completamente para receber uma posição justa diante de Deus”.
Ser justificado pela fé anula toda vanglória humana: “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”

2 – Mas e a declaração de Tiago de que somos justificados pelas obras e não somente pela fé?

“Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.” (Tg 2.24)
              
             a)     Tiago usa a palavra justificação num sentido diferente de Paulo:

A palavra justificação era usada nos dias do NT de forma mais comum como “ser declarado justo”; mas, às vezes podia ser usada como “demonstrar ser justo”. É neste sentido que Tiago usa esta palavra, pois, enquanto Paulo estava combatendo o ensino dos legalistas que diziam que o homem para ser justificado precisava da fé mais das obras da lei; Tiago combate os intelectualistas, que pensavam que fé era simplesmente concordância intelectual. Para Tiago, o verdadeiro justificado demonstra isto por meio de obras. Portanto, o texto de Tiago poderia ser traduzido da seguinte forma: “verificais que uma pessoa demonstra ser justa pelas obras que faz e não apenas por dizer que tem fé”. (veja verso 14 – o motivo de toda a discussão é por uma pessoa que diz que tem fé; mas não a tem de fato). É o mesmo que Jesus disse: “pelos seus frutos os conhecereis”. 

b)    Tiago usa a palavra obras num sentido diferente de Paulo:

As obras que Paulo fala são as obras da lei, querendo mostrar que por sua obediência à lei ninguém será justificado; Tiago nunca usa a expressão obras da lei; pois ele não está ensinando que o homem é declarado justo por Deus através de obras, mas que ele demonstra ser de fato justificado, apresentando os frutos da fé – as obras.

A igreja romana tem entendido de forma errônea a doutrina da justificação; associando-a com os nossos próprios méritos e boas obras e até mesmo aos sacramentos como instrumentos de justificação; conseqüentemente ensina que o homem pode perder a justificação e cair dela, pois se ele pode ganha-la por seus próprios méritos, ele também pode perdê-la. Esse ensino errôneo sobre a justificação faz com que se perca o ideal da graça de Deus e faz com que os homens voltem ao ensino que Paulo combatia, de justificação por obras. Isto deixa os homens sempre debaixo da condenação, pois as nossas obras não servem para nos fazer justos diante de Deus, mas apenas para revelar a nossa incapacidade.

Precisamos nos firmar no ensino bíblico e dizer com Paulo que queremos “ser achados em Cristo, não tendo justiça que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Jesus Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Fl 3.9).
Quando nos firmamos nesta verdade, podemos afirmar também: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.”

CONCLUSÃO:

Essa doutrina é a base da nossa certeza da salvação – pois a justificação é um ato de Deus que não depende das obras. Se você ainda não creu em Cristo, e somente em Cristo para a sua salvação, faça isto agora e receberá a vida eterna, a qual você pode ter certeza que nunca perderá.

É a base da nossa paz com Deus. E do nosso novo relacionamento com ele.

É motivo de louvor. Pois Deus é gracioso e não nos trata conforme os nossos merecimentos, mas segundo a sua justiça graciosa e sua misericórdia.

É motivo de humildade e para vivermos em santidade. Que outra resposta poderíamos dar a Deus que tão graciosamente nos salvou, senão seguir a santificação?


Paulo em Romanos responde à pergunta milenar de Jó: Como pode o homem ser justificado para com Deus?” (Jó 9.2), e a resposta que Paulo dá nunca foi tão bem expressada em qualquer outro lugar como o é no catecismo de Heidelberg:

“Só pela fé em Jesus Cristo. Mesmo que me acuse a consciência, de haver pecado gravemente contra todos os mandamentos de Deus, e de não haver jamais guardado qualquer deles, e mesmo que eu esteja ainda inclinado a todo pecado, não obstante, sem merecer de forma alguma, só pela sua graça, Deus me assegura e credita a mim a perfeita expiação, justiça e santidade em Cristo, como se eu nunca houvesse pecado ou sido pecador, como se eu tivesse sido perfeitamente obediente como Cristo foi obediente por mim.”

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