quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus (2ª parte)


 Clique aqui para ler a parte 1

TEXTO: ROMANOS 3.21-31
TEMA: Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus.

            Já vimos que no ensino do apóstolo Paulo a expressão "justiça de Deus" não significa a justiça punitiva, mas uma justiça graciosa que se manifesta na justificação do pecador. Agora analisaremos as evidencias que o apóstolo apresenta para comprovar tal afirmação:

I - A justificação é a manifestação da justiça graciosa de Deus porque a sua fonte é a graça. (21-24a)

21 “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, 23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça,”

A fonte da justificação, da qual ela brota, de onde ela procede, é a graça de Deus. Isto é exatamente o que Paulo diz no verso 24:“sendo justificados gratuitamente, por sua graça”; aqui, Paulo afirma claramente que a fonte da justificação é a graça de Deus (Seu favor imerecido).
Mas antes de falar da fonte de onde ela procede, e para realçar esta verdade de que ela só pode proceder da graça, ele primeiro Paulo fala de onde ela não procede:

1 – A justificação não procede da Lei: “sem lei” 

a) Não procede da Lei porque não é justiça própria.
Não é a nossa própria justiça.
Não é justiça própria adquirida pela obediência à lei, pois a lei não nos justifica, ela nos condena, ela põe em relevo a nossa desobediência e pecado; ela mostra a nossa incapacidade de nos justificarmos a nós mesmos diante de Deus.
A Lei traz sobre nós a “maldição da lei”, ou seja, a justiça retributiva de Deus.

b) Não procede da Lei porque não se manifesta na dispensação da lei.
Quando ela se manifesta? Agora, ou seja, na nova dispensação, em Cristo Jesus, na dispensação da graça.
“Porque o fim da lei é Cristo” (ou seja, o cumprimento da lei e o fim da dispensação da lei).
Percebemos isto na primeira expressão de Paulo: “Mas agora”.  Este mas de Paulo indica uma nova maneira de Deus lidar com o homem.

c) Não procede da Lei por causa da maneira como ela se manifesta.
Como ela se manifesta?  “Sem lei”.
Quando dizemos que ela não procede da lei, não estamos dizendo que ela anula a lei, porque, na verdade, a própria lei já a anunciava e previa.

2 – A justificação procede de Deus: justiça de Deus”
Isto reforça o argumento de Paulo:
Se ela não procede da lei, se não procede de mim mesmo. Se não é justiça própria
Se não é minha justiça, De onde é que ela vem? Se não é minha... é de quem?
É justiça de Deus.
Segundo revelado pelo apóstolo Paulo, aqui neste texto, Deus não é um Deus que se alegra, que tem prazer, que anseia, que deseja aplicar a sua justiça retributiva, punindo o pecado no pecador. Não! Deus deseja, anseia e tem prazer em justificar o ímpio; em derramar sobre o pecador não a sua justiça retributiva, mas a sua justiça graciosa. Como a Palavra de Deus diz: “Deus não tem prazer na morte do perverso”.
Quando Lutero descobriu esta justiça graciosa de Deus, pela qual Deus inocenta e perdoa o ímpio; seu coração se encheu de Paz; ele diz que as portas do paraíso se abriram para ele, e ele entrou.
Esta justiça graciosa de Deus faz toda a diferença entre a Religião Cristã e todas as outras religiões: Certa vez perguntaram ao grande escritor C.S. Lewis: “Qual a contribuição exclusiva do cristianismo para o mundo?” A resposta dele foi: a Graça de Deus. O conceito da graça é absolutamente exclusivo do cristianismo.

3 – A justificação é derramada sobre os pecadores
“para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”

a) Ao nos declarar justos diante dele, ele não leva nossos pecados em consideração: “(...) todos pecaram (...)”
Deus nos justifica apesar do nosso pecado; apesar do fato de que merecemos a condenação.

b) Ao justificar o pecador, ele não faz distinção entre os pecadores: para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram (...)
O ponto de vista de Deus, neste aspecto, é que todos pecaram; Ele não procura alguém que não pecou, ou que pecou menos; a graça é derramada indistintamente sobre os pecadores.


                As implicações para você e eu neste caso são muito claras:

                1 – Não devemos pensar que nos salvaremos a nós mesmos pela nossa obediência e justiça própria; somos incapazes de salvar a nós mesmos, precisamos de um Salvador, e este é Cristo;

                2 – Não devemos alimentar a imagem de um deus que tem prazer em nos punir, mas devemos louvar e agradecer a Deus que nos salvou por sua livre graça e amor;

                3 – Não devemos pensar que haja alguém que seja tão pecador que não possa ser redimido, pois Deus não faz distinção (devemos pregar o Evangelho para todos);

                4 – Não devemos pensar que somos melhores do que ninguém, pois somos apenas pecadores indignos a quem o Senhor salvou. Logo, devemos servir ao Senhor com humildade.

2 comentários:

  1. Pequeno texto mais uma mensagem grandiosa!
    Parabéns pelo blog e que Deus continue a te abençoar.
    Abraços reformados!
    (Trovian Maucellus)
    Soli Deo Gloria.

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  2. Trovian Maucellus, obrigado.
    saudações reformadas tbm.

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