domingo, 13 de novembro de 2011

Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus (1ª parte)


SERMÃO EXPOSITIVO EM ROMANOS 3 21 A 31 (1ª parte)
 
TEXTO: ROMANOS 3.21-31
21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;
22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,
23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,
25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;
26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.
27 Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé.
28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.
29 É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios,
30 visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso.
31 Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.

Nossa meditação hoje tem como tema:
Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus.

Com base no texto lido esperamos poder apresentar algumas razões pelas quais afirmamos que a justificação é a manifestação da justiça graciosa de Deus:

primeiramente veremos que a fonte da qual a nossa justificação procede é a graça de Deus. (21-24a);
depois mostraremos que o fundamento da justificação é a obra de Cristo (24-26);
e finalmente, provaremos que o único meio de recebe-la é a fé (22,26,28)

Mas antes de falar da fonte, do fundamento e do meio da justificação, precisamos aprender um pouco sobre o contexto do nosso texto e compilar uma definição de justificação. E para falarmos de justificação pela fé somente, nada melhor do que começarmos contando um pouco da história de Martinho Lutero: 
Lutero era um monge angustiado, pois tendo consciência do seu pecado buscava satisfazer a Justiça de Deus por todos os modos: Jejuns, penitências, celibato, auto-flagelação, orações e boas obras; mas nada disto trazia paz ao seu coração; ele se confessava várias vezes na semana, mas não encontrava a paz e a certeza de que estava livre da justiça de Deus. Enquanto cria que Deus só o declararia justo, quando ele de fato se tornasse justo, trevas pairavam em sua alma, pois ele sentia que de si mesmo, não poderia ser justo o suficiente aos olhos de Deus. A expressão justiça de Deus, provocava ódio e medo em Lutero, pois ele a entendia como sendo a justiça punitiva de Deus, segundo a qual Ele pune o homem por seus pecados; e por isto ele a temia.
            Quando Lutero encontrou um exemplar das Escrituras perdido em uma biblioteca e começou a ler a Epístola de Paulo aos Romanos, ele se defrontou com a expressão que tanto o assustava: justiça de Deus. Mas, à medida que lia, ele pode observar que Paulo dava ênfase não à justiça punitiva de Deus, mas a uma justiça graciosa, segundo a qual Ele declara o pecador justo aos seus olhos por meio da obra de Cristo na cruz; quando Lutero se deparou com o dito de Paulo que essa justiça se revela na fé, pois o justo viverá pela fé; Lutero entendeu que não seria por obras, nem pela sua própria obediência, mas, pela fé na obediência de Cristo, na justiça dele que Deus imputa sobre aquele que crê.
            Neste momento sinos soaram na alma de Lutero, e como ele próprio disse: “as portas do paraíso se abriram para mim e eu entrei”; nascia assim a reforma protestante do século . XVI.

            Foi a leitura de Romanos que mudou a vida de Lutero; foi a compreensão da justificação pela fé somente que gerou o nascimento da Reforma.
            E de fato, quando lemos esta Epístola vemos que o assunto justificação recebe nela muita atenção:
 Mas o que é justificação?
            Justificação é um ato forense, ou seja, jurídico, legal, no qual o juiz declara que o acusado é inocente. É uma declaração de justiça. (este era o uso mais comum da palavra nos dias do NT).
            Hoekema diz: justificação é “o ato gracioso e judicial de Deus pelo qual ele declara justos os pecadores crentes, na base da justiça de Cristo que lhes é creditada, perdoando seus pecados, adotando-os como filhos e dando-lhes a vida eterna.”
            Wayne Grudem diz: “Justificação é um ato instantâneo e legal da parte de Deus pelo qual ele (1) considera os nossos pecados perdoados e (2) declara-nos justos à vista dele”.

            Os judeus buscavam ser declarados justos obedecendo à Lei de Moisés; acreditavam portanto na justificação pelas obras; ou seja, Deus justifica o justo e condena o ímpio, o pecador.
Paulo, já nos primeiros capítulos desta carta, combate este ensino afirmando que:
1 - não há distinção entre judeu e gentio; ambos são pecadores e estão debaixo da maldição.
2 - O gentio não pode se justificar pela falta de conhecimento da Lei, pois a natureza revela a Deus de tal forma que ele fica indesculpável.
3 - O judeu não pode ser justificado pelas obras da Lei, pois é ao homem impossível guardar toda a Lei.
4 - Ninguém pode esperar ser declarado justo por Deus, com base em qualquer obra ou mérito seu.
            O que Paulo diz é o seguinte: “Não há nem um justo sequer”

Surge então a pergunta antiga, que o próprio Jó já havia pronunciado: Como pode o homem ser justificado para com Deus?” (Jó 9.2)
            Uma vez que a auto-justificação é impossível; a justiça de Deus se torna algo a ser temida; pois que sentença Deus pode dar ao homem ímpio senão a condenação ao inferno?
            Justiça de Deus; essa mesma expressão que por anos aterrorizou a Lutero e despertou seu ódio para com Deus; ganha na Epístola aos Romanos um grande espaço; pois ocorre 5 vezes em toda a carta.  Mas em Paulo ela ganha um significado diferente daquele que os judeus e Lutero haviam formado. Em 4 das vezes em que ocorre na carta ela significa não a justiça de Deus em condenar o pecador, mas, sim, o ato de Deus declarar o pecador inocente e isento de culpa; mais do que isto, declara-lo justo aos olhos de Deus.
Como em:
Romanos 1:17:  “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.”
Romanos 3:21 e 22:  “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,”
Romanos 10:3:  “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.”
 A justiça de Deus, portanto, neste sentido é uma justiça misericordiosa, perdoadora, justiça graciosa.
            No entender de Paulo, Deus não é injusto se aplicar a sua justiça punitiva (uma vez que todos pecaram e a merecem) nem em aplicar a sua justiça graciosa, justificando o ímpio.

            Quando Paulo fala do pecador que crê em Deus como “aquele que justifica o ímpio”, ele descreve uma situação de tribunal em que o juiz declara justo o culpado, mas não é injusto em agir assim; pelo contrário age de conformidade com a justiça.  Isso é justificação. É isso que Paulo está afirmando claramente no texto que lemos.
            Chegamos então ao entendimento da justificação apresentada por Paulo no texto que lemos, entendimento esse que nos dá o tema de Paulo nesta passagem:
Justificação: a manifestação da justiça graciosa de Deus.
Ela é um ato gracioso do Deus justo, pelo qual ele nos declara justos quando na verdade somos ainda pecadores. Esta verdade mudou a vida de Lutero e a minha; e tem mudado a vida de homens, mulheres e crianças em todas as gerações.

(continua) 

Clique aqui para ler: parte 2; parte 3; parte final

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