quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 5 – Línguas hoje? (parte 2)






 


As línguas no NT eram idiomas estrangeiros: Respondendo a objeções baseadas em 1 Coríntios:
          Paulo fala em 1Co 13 sobre a língua dos anjos! Paulo está extrapolando, e não afirmando que alguém fala de fato a língua de anjos. É obvio que ninguém fala todos os idiomas humanos; nem tem fé que possa transportar montes; nem conhece todos os mistérios de Deus e tem um conhecimento perfeito e completo sobre Deus. Além disso, sempre que os anjos aparecem na Bíblia eles falam uma língua humana que pode ser entendida. Se os anjos falam com os homens em idiomas humanos, que lógica teria homens falaram língua de anjos a outros homens. Na verdade sabemos que aqui as línguas são idiomas humanos estrangeiros, pela abordagem que Paulo faz do dom de línguas, profecia, ciência e fé.
          As línguas não são idiomas estrangeiros, pois 1Co 14.2 diz que quem fala em línguas fala a Deus e não a homens! Na verdade, acontecia em Corinto algo muito parecido com o que aconteceu em At 2: no Pentecostes  alguns entendiam o que era dito, pois era dito em seu próprio idioma, enquanto outros, que não falavam nenhum daqueles idiomas, não entendiam (At 2.11-13). A diferença entre Pentecostes e Corinto, é que neste último não estavam representados os idiomas como no Pentecostes, por isso, quando alguém se levantava falando em outro idioma ninguém o entendia, exceto Deus, que entende todos os idiomas. Paulo aqui faz uma crítica a esse procedimento dos coríntios, pois o dom de línguas é para a edificação da Igreja e não de si mesmo; e é para ser entendido (1Co 14.16-17, 27-28).

As línguas no NT eram revelacionais: Diversas considerações apontam para esta conclusão:
          O uso do termo mistério em 1 Coríntios 14 e no restante do NT: Mistério é uma verdade sobre o método divino de efetuar a redenção que outrora esteve oculta, mas agora foi revelada. Um mistério no NT é um fenômeno revelacional (Mt 13.11; Rm 11.25; 16.25-26; 1Co 2.1,7; 4.7; 1Co 15.51; Ef 1.9; 3.3,9; 6.19-20; Cl 1.25-26). Das 28 vezes que o termo mistério é usado no NT, 27 se referem a algo que outrora esteve oculto, mas que agora foi revelado. O cristianismo não é uma religião de mistério! A meta do cristianismo é que tudo seja amplamente aberto, compreendido e conhecido. Portanto, quando Paulo diz que o que fala em língua fala mistério, ele diz, não que ele oculta a verdade, mas comunica a verdade que se lhe fez conhecida por divina revelação. As línguas foram um instrumento de Deus para transmitir a revelação. Por isso Paulo critica o uso que os coríntios faziam das línguas, pois um irmão proclamava a verdade que recebera por revelação, mas não edificava a igreja, pois, sem tradução, ninguém entendia.
          As línguas interpretadas são equivalentes à profecia: falar em línguas é equiparado à profecia se houver interpretação; uma vez que profecia é um dom revelacional, segue-se que as línguas também o são (1Co 14.4-5). Uma vez interpretada a mensagem em língua era a própria voz de Deus para o povo.
          A profecia de Joel e seu cumprimento em At 2: Joel disse que nos últimos dias o Espírito viria sobre todos os crentes e esses profetizariam (At 2.17-18). O que aconteceu no Pentecostes, os crentes falaram em línguas ou profetizaram? Eles falaram em línguas e Pedro disse que isso era o cumprimento da profecia de Joel, isso porque falar em línguas é profetizar.

          Conclusão:
          A menos que uma pessoa esteja disposta a admitir a continuidade da revelação além das Escrituras, as línguas que se manifestam hoje não podem ser consideradas as mesmas existentes no NT.

As línguas no NT eram para uso público, não privativo! Todos os dons visavam a edificação da igreja, e não somente do indivíduo. Um dom era concedido a um indivíduo para que ele proporcionasse benção ao povo de Deus. Por meio de um dom do Espírito uma pessoa é capacitada para ministrar a outras. Disso, obviamente se conclui que os dos não são para uso particular, mas público (1Co 12.4-7). É assim que Paulo compara a igreja a um corpo: a cada parte do corpo é dada uma função por meio da qual pode beneficiar todo o corpo.
          Com este pano de fundo em mente, analisemos 1Co 14.18-19:
          “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua”. O contraste de Paulo aqui não é entre línguas para uso privativo e público, mas entre aqueles que estavam ansiosos por promoverem línguas em Corinto, e o uso do dom para o progresso do Reino.
          Vejamos ainda o verso 28:
          “Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus”. A questão aqui não é se o crente deveria usar língua privativa ou publicamente, mas quando ele poderia falar publicamente em língua.

          Conclusão: As línguas como muitos as usam hoje, privativamente, não pode ser o mesmo dom do NT, pois no NT as línguas eram para uso publico.


2 comentários:

  1. Maurício,não precisa publicar pq sou anônimo e não tenho como colocar endereço de email, só quero que vc responda nos coments mesmo pq nas igrejas pentecostais falam em línguas, não entendí muito bem. Agradeço.

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  2. olá anônimo, seja bem-vindo.
    só não publico aqueles comentários "mal criados" de anônimos.
    quanto a sua dúvida, procurei mostrar pela Bíblia que o que comumente é chamado de dom de línguas hoje, não é o mesmo dom do Espírito registrado na palavra; portanto, não é um dom do Espírito, uma vez que este não haje à parte da mesma.
    quanto ao que é de fato este suposto dom, tenho a opinião de que se trata do mesmo fenômeno que ocorre em outras religiões não cristãs, um fenômeno puramente humano e emocional. Claro que há os que falam por imitação, pq acham que crente tem que falar em línguas pq se não falar não tem o Espírito.
    claro que os sociólogos, antropólogos e psicólogos podem descrever e explicar tal fenômeno com muito mais propriedade.

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