quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dons miraculosos - estudo 7 - dons de curas






Não se pode provar pelas Escrituras que os dons miraculosos estejam presentes hoje na Igreja:
          Três considerações de peso sugerem que os dons miraculosos, como línguas e curas, não ocorrem hoje na Igreja:

          (1) O NT associa os dons miraculosos com o trabalho dos apóstolos enquanto lançavam as fundações da Igreja. O Senhor habilitou os apóstolos a fazer sinais e prodígios e milagres (falar línguas e fazer milagres, conforme Mc 16) a fim de confirmar o Evangelho que traziam e dar-lhes crédito como mensageiros do Evangelho. Estes sinais e prodígios eram as credenciais do verdadeiro apóstolo (At 14.3; 2Co 12.12; Rm 15.18-19; Hb 2.3-4). Uma vez que o trabalho e o testemunho dos apóstolos era o de lançar os fundamentos, algo que já foi feito e não pode se repetido, os dons miraculosos não são mais necessários hoje.

           (2) Não temos nenhuma ordem no NT de que a Igreja deve continuar manifestando os dons miraculosos do Espírito. Além de 1Co 12-14, não há a menor alusão ao dom de línguas ou de curas. Estes dons não aparecem em nenhuma lista de dons no NT além de 1Co 12-14; Nas epístolas pastorais são listadas as qualificações que devem ter os oficiais da Igreja; nenhum dos dons miraculosos são mencionados; o que é enfatizado nestas passagens são os dons não-miraculosos, como ensino e administração.

          (3) Há um declínio dos dons miraculosos no NT.
          I – O contraste entre os primeiros e os últimos escritos de Paulo:
          Os primeiros escritos de Paulo os mencionam com freqüência: 1 Tessalonicenses (escrita no ano 51) e Romanos (ano 57) mencionam profecia (1Ts 5.20 e Rm 12.6); 1 Coríntios (ano 55) menciona línguas, profecia e dons de curas e milagres (1Co 12.9-10).
          Nos últimos escritos de Paulo, estes dons já perderam a importância: 1Timóteo (ano 63-65), Tito (Idem) e 2Timóteo (ano 67-68) não fazem nenhuma menção a profecia, línguas ou dons de curar.
          II – O contraste entre os primeiros e os últimos anos do ministério dos apóstolos:
          Nos primeiros anos do ministério dos apóstolos vemos estes dons em evidencia; o mesmo não ocorre a partir da década de 60. Por exemplo, no ano 59 Paulo opera, na ilha de Malta, suas últimas curas registradas no NT (At 28.8-9). Depois disso os dons de curar, se não desapareceram por completo, pelo menos diminuíram na vida dos apóstolos, pois Filipenses 2.27 (ano 61) diz que Epafrodito adoeceu mortalmente e Paulo nada pode fazer; 1 Timóteo 5.23 (ano 63-65) diz que Timóteo sofria de frequentes enfermidades, das quais Paulo não o curou; 2 Timóteo (ano 67-68) diz que Paulo não curou a Trófimo (2Tm 4.20);

Contudo, Deus continua a curar hoje:
          Quando dizemos que os dons de curas cessaram, não estamos dizendo que Deus não cura de forma alguma hoje; ele cura quando quer em resposta às nossas orações.
          Contudo, algumas precauções devem ser tomadas:

          (1) Não devemos esperar que curas ocorram todas as vezes que oramos por enfermos. Os exemplos dados acima, ilustram bem o que estamos dizendo aqui (adicione-se a esses exemplos o de Paulo, que não foi curado do seu espinho na carne, possivelmente uma enfermidade física, a despeito de ter pedido três vezes).
          Quando oramos pela cura física de uma pessoa, precisamos lembrar que talvez não seja a vontade de Deus responder afirmativamente. Algumas vezes, como no caso do espinho na carne de Paulo, Deus quer usar uma doença ou deficiência para enriquecer a vida espiritual de uma pessoa (Rm 5.3; Hb 12.4-11). Quem sabe que razões mais Deus tem para não retirar uma enfermidade? A Bíblia diz que seus caminhos e pensamentos não são os nossos.

          (2) – Quando a pessoa pela qual oramos não for curada não podemos dizer que ela não teve fé suficiente. Ninguém pode dizer que Paulo não foi curado por falta de fé. A fé genuína está pronta para se submeter à vontade do Senhor.
         
            (3) – Não podemos permitir que curas se tornem o centro do nosso culto. A principal visão para a pregação e oração deve sempre ser a salvação dos pecadores e o equipamento dos crentes para o serviço do Reino. A busca por curas nunca pode suplantar a tarefa de trazer os filhos perdidos para a casa do Pai.

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