quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 3 – Profecia hoje?



O profetismo no NT

Profecia sobre profecia no AT:
          A clássica “profecia sobre profecia” de Joel 2.28, liga a experiência profética do AT com o fenômeno de profecia no NT. Com base nessa passagem podemos afirmar que o fenômeno da profecia no NT é, essencialmente, o mesmo do AT; ou seja, profecia no NT não é algo diferente do que ocorria no AT.
          Joel, antecipando o futuro, o tempo do NT, diz que nesse tempo haveria uma efusão de profecias. Será que Joel está falando de um novo tipo de profecia? Será que está dizendo que a profecia no tempo do NT seria uma experiência diferente da profecia no AT? Certamente que não. Veja as considerações que podemos extrair de Joel 2.28:
          1 – A palavra para profecia aqui é a mesma que aparece nos textos do AT sobre profecia.
          2 – Joel fala que esta palavra profética viria ao profeta por meio de “sonhos” e “visões”. De onde Joel tira esta idéia de sonhos e visões? Foi ele o inventor de tais conceitos? Não; Joel se refere ao texto de Nm 12.6-7; mostrando que a natureza da palavra profética no NT é a mesma à qual Moisés se referiu.
          3 – É portanto, muito apropriado que, a vinda do Messias fosse acompanhada de uma efusão sem precedentes do Espírito Santo trazendo muitas novas revelações de Deus.

A profecia no NT: O NT menciona a prática profética na Igreja e o entendimento apostólico sobre profecia:
1 – O testemunho de Atos dos Apóstolos:
          A – Pedro diz que esta profecia de Joel se cumpriu na efusão do Espírito no Pentecostes (At 2.16). Os discípulos não tiveram alucinações, nem falsas profecias, nem uma experiência subjetiva de intuição da verdade. NÃO! Eles tiveram uma experiência revelatória, tal como as dos profetas do AT.
          B – Em At 11.27-28, Ágabo prediz uma grande fome. Esta profecia, imediatamente, se torna a base para a ação concreta da igreja em Antioquia que providencia socorro para os irmãos da Judéia (29-30). Esta experiência de Ágabo se encaixa na experiência do AT. Ele pronunciou a sua predição com base numa revelação direta do Espírito Santo; pois de nenhum outro jeito ele conheceria o que viria.
          C – Em At 21.8-11, Ágabo diz que Paulo seria preso em Jerusalém. De nenhuma outra forma Ágabo saberia desse fato senão por uma revelação direta de Deus, tal qual a do AT. Além disso, a fórmula usada por Ágabo “Assim diz o Espírito Santo” (NVI), é similar à usada pelos profetas do AT. Portanto, o profeta no NT, tanto quanto no AT é o instrumento da revelação divina.

2 – O testemunho das cartas de Pedro: Em 2Pe 1.20-21, Pedro trata sobre o assunto profecia:
          A – A profecia não é algo humano, uma percepção humana da verdade sujeita a erros (não “provém de interpretação pessoal”, nem tem “origem na vontade humana” NVI). Toda profecia autentica é assim.  
          B – Toda profecia era a própria Palavra de Deus (“da parte de Deus”, v. 21).
          C – O que Pedro diz sobre a profecia não se aplica apenas à profecia escrita, mas à falada também.
          D – O profeta era passivo na comunicação da palavra profética. Ele era “movido” (RA) ou “impelido” (NVI), ou seja, arrastado pelo Espírito Santo. Isso significa que o profeta não contribuía em nada para o movimento de indução, ele era o objeto a ser movido; era impelido pelo Espírito como um barco pelo vento

3 – O Ensino de Paulo:
          1Co 14.29-33: 1 Coríntios foi escrito num período em que muito pouco do NT havia sido escrito; a igreja necessitava de uma palavra autoritativa do Senhor para direcionar o padrão de vida sob o novo pacto. É provável que os coríntios não tivessem nenhum escrito do NT para direcioná-los. É neste contexto que Deus levanta profetas na Igreja, que traziam, da parte de Deus, revelações autoritativas, infalíveis e inerrantes das verdades da era do novo pacto. A experiência profética que trouxera a palavra de Deus à comunidade do antigo pacto, agora comunicava a verdade acerca desta nova era à comunidade do novo pacto.

CONCLUSÕES: À luz do que a Bíblia, no AT e NT, ensina sobre profecia, podemos concluir:
          1 – Qualquer discussão sobre profecia hoje deve começar com a longa história do caráter revelacional desse dom. Deus é o originador da genuína palavra profética.
          2 – Deve-se ter em mente as advertências bíblicas concernentes aos perigos da falsa profecia.
          3 – Portanto, somos forçados a afirmar que: (1) se há profecia hoje, ela tem a mesma autoridade da Escritura (o que traz sérios perigos); (2) se não há profecia hoje, no sentido bíblico do termo, autoritativa, infalível e inerrante, então, o que há são falsas profecias e falsos profetas; não há meio termo possível: ou os profetas hoje falam com a autoridade do próprio Deus, ou eles falam somente por si mesmo.
          4 – Afirmar que haja hoje uma espécie diferente de profecia (que não é autoritativa, infalível e inerrante) do que havia nas Escrituras, além de não ter base escriturística, coloca-nos numa posição insustentável: (1) destrói a distinção entre o genuíno e falso profeta; (2) transforma o povo de Deus em vítimas do erro mesclado com a verdade: se é falível, como saber o que Deus quer? (3) Finalmente, o caráter revelacional da própria Escritura poderia ser definido nestes termos confusos: uma revelação-não-revelacional; palavra de Deus misturada a erros humanos.

Rev. Maurício de Almeida Soares



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comemente à voltade, deixe críticas e sugestões. Só não publico comentários anônimos. se deixar seu comentário, deixe seu nome.