quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 2 – Profecia hoje?


A origem do profetismo e análise de passagens fundamentais

A origem da profecia segundo o Antigo Testamento:
          Profecia não é um fenômeno específico do NT, mas tem suas origens no AT. Para entendermos o que é, de fato, profecia e profeta, precisamos voltar as suas origens no AT.
O estabelecimento do Ofício profético: O movimento profético iniciou-se com Moisés; e tem nele seu ponto de maior glória. Deus institui o mediador profético e o ofício profético, em resposta ao pedido do povo de que não ouvisse mais a voz de Deus, como ouviram no Sinai (Dt 18.16). As origens da profecia revelam fatos importantes sobre ela:
          1 – A voz frágil e simples do profeta substitui todos os apavorantes sinais do Monte Sinai. Apesar de seu tom relativamente manso, cada palavra do profeta flui como sendo a própria voz de Deus.
          2 – A origem da palavra profética não será encontrada nas experiências subjetivas de um homem. A própria palavra de Deus vem ao encontro do profeta, e o seu veículo de comunicação é a voz do profeta. É Deus e não as experiências subjetivas de alguém quem determina a palavra profética.
          3 – Profecia não significa, em sua natureza, prever o futuro. A tarefa primordial de Moisés não era predizer o futuro, e, sim, declarar a vontade revelada de Deus. Não há uma única predição nos Dez mandamentos, o coração da revelação mosaica. O profeta era um instrumento da revelação divina, a quem vinha a palavra do Senhor e que, portanto, proclamava as próprias palavras de Deus (Êx 4:12; 7:1,2; Jr 1:4-9; 23:16,18,22,28), que poderiam incluir ou não predições do futuro; mas, o que determina a profecia é que a palavra do profeta é a proclamação da Palavra de Deus. Seja como “vaticinador” ou “proclamador” o profeta comunicava a revelação de Deus. Qualquer pessoa que creia em profecia hoje está, na verdade, afirmando que a revelação continua hoje tal qual na época do AT.
          4 – O propósito supremo do pacto divino não pode ser alcançado sem que uma figura profética esteja entre o Senhor e seu povo. Pacto é relacionamento; no pacto Deus quer se tornar um com seu povo. Se Deus mesmo se tornasse o mediador da Palavra divina, se cumpriria a comunhão pretendida pelo pacto; então a necessidade da obra intermediária da figura profética desapareceria. Isto acontece em Jesus (Hb 1.1,2); pois Deus agora falou definitivamente por Ele, que é o profeta por excelência. Experimentar a revelação por Jesus significa ser um com Deus mesmo.
         
Passagens fundamentais sobre a profecia no AT. Essas passagens ensinam importantes lições:
          1 – Êxodo 7.1-2: A mediação de modo algum reduz a autoridade da palavra profética.
          2 – Êxodo 4.15-16: A palavra do profeta é a própria palavra de Deus. A palavra é comunicada “boca a boca”; isso significa que Deus se preocupa não só em transmitir a palavra ao profeta, mas, através dele ao povo. A Palavra de Deus é preservada em sua autoridade quando se serve do profeta como veículo.
          3 – Números 12.6-7: A “visão” ou “sonho” do profeta tem sua origem em Deus e não na percepção humana. O profeta recebe a sua mensagem por meio de experiência revelatória (Jr 23.16 – falso profeta).
          4 – Deuteronômio 13.4-5: O teste mais básico do profeta é sua adesão às Escrituras. Profecia é a proclamação da verdade revelatória de Deus e, o entendimento moderno de profecia como proclamação “Não-revelacional” ou “semi-revelacional”, não encontra apoio nos textos fundamentais sobre profecia.
          5 – Deuteronômio 18: Qualquer substituição proposta para a palavra revelatória de Deus que é transmitida pela instrumentalidade de seu profeta é abominação ao Senhor e deve ser rejeitada (9-14). Hoje, devemos rejeitar qualquer profecia não-bíblica, pois qualquer esforço para substituir a palavra profética divinamente inspirada, pela palavra do homem falível, deve ser rejeitado.
          Esse texto também ensina (15-22): (1) que Deus levantaria profetas verdadeiros, em contraste com os falsos profetas que surgiriam; (2) que Deus levantaria um Profeta, semelhante a Moisés, porém maior que Moisés (At 3.22, 26). Se o próprio filho de Deus é agora o mediador profético do pacto, então o supremo propósito do pacto se consumou, pois receber a palavra da parte o Filho é recebê-la de Deus. A unidade entre Deus e seu povo pretendida pelo pacto foi estabelecida e o ofício profético encontra a sua realização final nessa única pessoa que é o Filho de Deus e o mediador profético do pacto. Cristo é o Profeta, Sacerdote e Rei, e estes três ofícios se cumprem nele.

Vejamos algumas considerações finais:
          1 – A palavra do profeta é a palavra infalível e inerrante de Deus; portanto, se dissermos que Deus fala ainda hoje por intermédio de profecias, estaremos comparando estas profecias às Escrituras, tendo elas a mesma autoridade. Teríamos que afirmar que a Bíblia não é nossa única regra de fé e prática.
          2 – O argumento de que a Bíblia não diz que estes dons cessaram, é falso, como veremos, e pode também ser usado ao contrário: a Bíblia não diz que eles deveriam permanecer, portanto não é errado pressupor que cessariam quando cumprissem a sua finalidade.
          3 – Um exemplo de um dom que todos concordam que cessou é o dom de apóstolos. Porque o de profecia e línguas não poderiam também cessar?
          4 – Os profetas são chamados de fundamentos junto com os apóstolos (Ef 2.20). O fundamento só está presente no início da construção; depois de lançados os alicerces, não se pode lançar de novo. Se profetas é um dom de fundamento, juntamente com apóstolo, e se apóstolo cessou, então não é errado crermos que profeta também cessou.
          5 – Quando se cumpriu a revelação do AT, cessaram os profetas porque a profecia é revelação (como testemunhado pelo historiador Flávio Josefo - que fala da falta de sucessão exata dos profetas, pelos rabinos judeus - que falam que depois da morte dos últimos profetas o Espírito se afastou de Israel; e pelos próprios livros apóscrifos (1Mac 9.27 - diz que há muitos anos não existiam mais profetas em Israel); logo, não é errado crer que quando se cumpriu a revelação do NT a profecia cessou.

Rev. Maurício de Almeida Soares



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