sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 4 – Línguas hoje? (parte 1)



Análise dos textos bíblicos

As línguas no NT eram idiomas estrangeiros: Vejamos alguns textos:
          Atos 2.1-13: Este é o texto áureo sobre o dom de línguas e qualquer entendimento sobre o que é este dom deve partir deste texto. É neste momento que o Espírito vem sobre a Igreja no Pentecostes e concede o dom de línguas. Fica bem claro nesse texto que as línguas eram idiomas estrangeiros (6-11), por que: (1) é dito que os ouvintes eram de diversas partes do mundo e falavam diferentes idiomas (5 e 9-11); (2) é dito que os cristãos, apesar de serem todos judeus, começaram a falar nos idiomas dos seus ouvintes.
RESUMINDO: o milagre no Pentecostes foi que cada crente falou num idioma que nunca havia aprendido.
          Até mesmo os pentecostais hoje admitem que o dom de línguas em Atos 2 era idiomas estrangeiros. Eles, contudo, dizem que posteriormente, na Igreja, o Espírito concedeu um outro dom de línguas diferente do que ocorreu em Atos 2.
          ATENÇÃO: O livro de Atos não possui nenhum indicador de que um tipo diferente de dom de línguas do que é descrito em Atos 2 se manifestou após o Pentecostes. Aliás, a evidência aponta exatamente na direção contrária; ou seja, o dom de línguas que se manifesta posteriormente na Igreja é o mesmo dom que ocorreu no Pentecostes: idiomas estrangeiros.
          Atos 10.44-48; 11.15-18: Pedro declara enfaticamente que o dom de línguas que Cornélio e os seus receberam era o mesmo dom que eles haviam recebido em Pentecostes, ou seja, idiomas estrangeiros. Pedro inclusive faz desse fato a base para batizar gentios incircuncisos; e usa este fato para convencer os judeus em Jerusalém de que aos gentios fora dado o arrependimento e o derramamento o Espírito. 
          Atos 19.1-6: Se o dom de línguas manifestado em Éfeso fosse diferente do que foi manifestado no Pentecoste e na casa de Cornélio, Lucas certamente o teria registrado. Ao contrário, Lucas simplesmente diz que começaram a falar em línguas (glossa – o mesmo termo usado para o dom de línguas no pentecostes). O silencio de Lucas quanto a esse assunto só nos deixa com uma explicação: o dom de Línguas em Éfeso foi o mesmo dom visto no Pentecostes: idiomas estrangeiros.
          ATENÇÃO: duas observações importantes: (1) o episódio em Éfeso ocorreu depois da estada de Paulo em Corinto; logo o dom de línguas em Corinto é também idiomas estrangeiros como ocorreu nos outros casos. Lucas nada registra sobre o dom de línguas em Corinto, mas, dado o seu zelo e a sua fidelidade histórica, se o dom de línguas manifesto em Corinto fosse um dom diferente do Pentecostes, Lucas certamente o teria registrado; (2) Paulo plantou tanto a Igreja de Corinto quanto a de Éfeso, se o dom de línguas nestas duas igrejas fosse diferente do dom dado no Pentecostes, isso lançaria dúvidas sobre o apostolado de Paulo: porque na presença dos apóstolos de Jerusalém e sob a imposição de suas mãos se manifestava um dom de falar em idiomas estrangeiros, e na presença de Paulo, apenas uma fala extática? Logo, conclui-se que o dom de línguas em Corinto e Éfeso eram, também, idiomas estrangeiros.  
          Só resta um texto a ser analisado; 1Co 12-14: Uma das regras básicas da interpretação da Escritura é que a Escritura interpreta a Escritura. Ou seja, um texto mais claro lança luz sobre um texto mais obscuro. Uma vez que Paulo não menciona que o dom de línguas em Corinto era diferente do que se manifestou em Pentecostes, e em nenhum texto da Escritura se menciona a existência de outro dom de línguas que fosse diferente do que foi concedido no Pentecostes, é lícito que interpretemos 1 Coríntios 12-14 como tratando de um dom de falar em línguas estrangeiras, como em todos os outros textos. Contudo, fortes evidencias se apresentam neste texto: (1) o termo usado para línguas é o mesmo que foi usado para idiomas estrangeiros em Pentecostes (glossa); (2) Paulo cita um texto do AT que claramente fala de idiomas estrangeiros para explicar o fenômeno que ocorria em Corinto (1Co 14.21 – Is 28.11,12; Dt 28.49), o que deixa claro que as línguas manifestadas em Corinto eram idiomas estrangeiros, como havia sido profetizado no AT; (3) as línguas em Corinto eram traduzíveis (1Co 14), o que reforça a tese de que eram idiomas estrangeiros.
          Obs: alguns tem dito que estas línguas eram línguas de anjos; mas, em 1Co 13, Paulo está, claramente, extrapolando, e não afirmando que alguém fala de fato língua de anjos. É obvio que ninguém fala todos os idiomas humanos; nem tem fé que possa transportar montes; nem conhece todos os mistérios de Deus e tem um conhecimento perfeito e completo sobre Deus.
          CONCLUINDO: Não há nenhuma razão para crermos, sem distorcer o texto bíblico, que as línguas em Corinto eram línguas extáticas e não idiomas estrangeiros. Qualquer interpretação do dom de línguas em Corinto deve então, respeitar o próprio contexto da carta aos coríntios, bem como o restante das evidencias do NT: as línguas eram idiomas estrangeiros.
          Línguas hoje: À luz do que a Bíblia diz sobre o dom de línguas, concluímos que se este dom permanecesse hoje ele teria que ser o dom de falar em idiomas estrangeiros desconhecidos do orador. Mas, o que se vê hoje são, não idiomas estrangeiros, mas línguas estáticas. Os pentecostais, quando entram num povo ou tribo, precisam estudar e aprender o idioma tanto quanto os tradicionais. Portanto, o que se manifesta hoje não é o dom de línguas, e, somos forçados a concluir, não é um dom do Espírito; logo, proibi-lo na igreja não é desobedecer a ordem de Paulo de não proibir o falar em línguas (1Co 14:39)

Rev. Maurício de Almeida Soares



  

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mover de Deus???






É preciso lamentar e chorar!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 3 – Profecia hoje?



O profetismo no NT

Profecia sobre profecia no AT:
          A clássica “profecia sobre profecia” de Joel 2.28, liga a experiência profética do AT com o fenômeno de profecia no NT. Com base nessa passagem podemos afirmar que o fenômeno da profecia no NT é, essencialmente, o mesmo do AT; ou seja, profecia no NT não é algo diferente do que ocorria no AT.
          Joel, antecipando o futuro, o tempo do NT, diz que nesse tempo haveria uma efusão de profecias. Será que Joel está falando de um novo tipo de profecia? Será que está dizendo que a profecia no tempo do NT seria uma experiência diferente da profecia no AT? Certamente que não. Veja as considerações que podemos extrair de Joel 2.28:
          1 – A palavra para profecia aqui é a mesma que aparece nos textos do AT sobre profecia.
          2 – Joel fala que esta palavra profética viria ao profeta por meio de “sonhos” e “visões”. De onde Joel tira esta idéia de sonhos e visões? Foi ele o inventor de tais conceitos? Não; Joel se refere ao texto de Nm 12.6-7; mostrando que a natureza da palavra profética no NT é a mesma à qual Moisés se referiu.
          3 – É portanto, muito apropriado que, a vinda do Messias fosse acompanhada de uma efusão sem precedentes do Espírito Santo trazendo muitas novas revelações de Deus.

A profecia no NT: O NT menciona a prática profética na Igreja e o entendimento apostólico sobre profecia:
1 – O testemunho de Atos dos Apóstolos:
          A – Pedro diz que esta profecia de Joel se cumpriu na efusão do Espírito no Pentecostes (At 2.16). Os discípulos não tiveram alucinações, nem falsas profecias, nem uma experiência subjetiva de intuição da verdade. NÃO! Eles tiveram uma experiência revelatória, tal como as dos profetas do AT.
          B – Em At 11.27-28, Ágabo prediz uma grande fome. Esta profecia, imediatamente, se torna a base para a ação concreta da igreja em Antioquia que providencia socorro para os irmãos da Judéia (29-30). Esta experiência de Ágabo se encaixa na experiência do AT. Ele pronunciou a sua predição com base numa revelação direta do Espírito Santo; pois de nenhum outro jeito ele conheceria o que viria.
          C – Em At 21.8-11, Ágabo diz que Paulo seria preso em Jerusalém. De nenhuma outra forma Ágabo saberia desse fato senão por uma revelação direta de Deus, tal qual a do AT. Além disso, a fórmula usada por Ágabo “Assim diz o Espírito Santo” (NVI), é similar à usada pelos profetas do AT. Portanto, o profeta no NT, tanto quanto no AT é o instrumento da revelação divina.

2 – O testemunho das cartas de Pedro: Em 2Pe 1.20-21, Pedro trata sobre o assunto profecia:
          A – A profecia não é algo humano, uma percepção humana da verdade sujeita a erros (não “provém de interpretação pessoal”, nem tem “origem na vontade humana” NVI). Toda profecia autentica é assim.  
          B – Toda profecia era a própria Palavra de Deus (“da parte de Deus”, v. 21).
          C – O que Pedro diz sobre a profecia não se aplica apenas à profecia escrita, mas à falada também.
          D – O profeta era passivo na comunicação da palavra profética. Ele era “movido” (RA) ou “impelido” (NVI), ou seja, arrastado pelo Espírito Santo. Isso significa que o profeta não contribuía em nada para o movimento de indução, ele era o objeto a ser movido; era impelido pelo Espírito como um barco pelo vento

3 – O Ensino de Paulo:
          1Co 14.29-33: 1 Coríntios foi escrito num período em que muito pouco do NT havia sido escrito; a igreja necessitava de uma palavra autoritativa do Senhor para direcionar o padrão de vida sob o novo pacto. É provável que os coríntios não tivessem nenhum escrito do NT para direcioná-los. É neste contexto que Deus levanta profetas na Igreja, que traziam, da parte de Deus, revelações autoritativas, infalíveis e inerrantes das verdades da era do novo pacto. A experiência profética que trouxera a palavra de Deus à comunidade do antigo pacto, agora comunicava a verdade acerca desta nova era à comunidade do novo pacto.

CONCLUSÕES: À luz do que a Bíblia, no AT e NT, ensina sobre profecia, podemos concluir:
          1 – Qualquer discussão sobre profecia hoje deve começar com a longa história do caráter revelacional desse dom. Deus é o originador da genuína palavra profética.
          2 – Deve-se ter em mente as advertências bíblicas concernentes aos perigos da falsa profecia.
          3 – Portanto, somos forçados a afirmar que: (1) se há profecia hoje, ela tem a mesma autoridade da Escritura (o que traz sérios perigos); (2) se não há profecia hoje, no sentido bíblico do termo, autoritativa, infalível e inerrante, então, o que há são falsas profecias e falsos profetas; não há meio termo possível: ou os profetas hoje falam com a autoridade do próprio Deus, ou eles falam somente por si mesmo.
          4 – Afirmar que haja hoje uma espécie diferente de profecia (que não é autoritativa, infalível e inerrante) do que havia nas Escrituras, além de não ter base escriturística, coloca-nos numa posição insustentável: (1) destrói a distinção entre o genuíno e falso profeta; (2) transforma o povo de Deus em vítimas do erro mesclado com a verdade: se é falível, como saber o que Deus quer? (3) Finalmente, o caráter revelacional da própria Escritura poderia ser definido nestes termos confusos: uma revelação-não-revelacional; palavra de Deus misturada a erros humanos.

Rev. Maurício de Almeida Soares



Dons Miraculosos - Estudo 2 – Profecia hoje?


A origem do profetismo e análise de passagens fundamentais

A origem da profecia segundo o Antigo Testamento:
          Profecia não é um fenômeno específico do NT, mas tem suas origens no AT. Para entendermos o que é, de fato, profecia e profeta, precisamos voltar as suas origens no AT.
O estabelecimento do Ofício profético: O movimento profético iniciou-se com Moisés; e tem nele seu ponto de maior glória. Deus institui o mediador profético e o ofício profético, em resposta ao pedido do povo de que não ouvisse mais a voz de Deus, como ouviram no Sinai (Dt 18.16). As origens da profecia revelam fatos importantes sobre ela:
          1 – A voz frágil e simples do profeta substitui todos os apavorantes sinais do Monte Sinai. Apesar de seu tom relativamente manso, cada palavra do profeta flui como sendo a própria voz de Deus.
          2 – A origem da palavra profética não será encontrada nas experiências subjetivas de um homem. A própria palavra de Deus vem ao encontro do profeta, e o seu veículo de comunicação é a voz do profeta. É Deus e não as experiências subjetivas de alguém quem determina a palavra profética.
          3 – Profecia não significa, em sua natureza, prever o futuro. A tarefa primordial de Moisés não era predizer o futuro, e, sim, declarar a vontade revelada de Deus. Não há uma única predição nos Dez mandamentos, o coração da revelação mosaica. O profeta era um instrumento da revelação divina, a quem vinha a palavra do Senhor e que, portanto, proclamava as próprias palavras de Deus (Êx 4:12; 7:1,2; Jr 1:4-9; 23:16,18,22,28), que poderiam incluir ou não predições do futuro; mas, o que determina a profecia é que a palavra do profeta é a proclamação da Palavra de Deus. Seja como “vaticinador” ou “proclamador” o profeta comunicava a revelação de Deus. Qualquer pessoa que creia em profecia hoje está, na verdade, afirmando que a revelação continua hoje tal qual na época do AT.
          4 – O propósito supremo do pacto divino não pode ser alcançado sem que uma figura profética esteja entre o Senhor e seu povo. Pacto é relacionamento; no pacto Deus quer se tornar um com seu povo. Se Deus mesmo se tornasse o mediador da Palavra divina, se cumpriria a comunhão pretendida pelo pacto; então a necessidade da obra intermediária da figura profética desapareceria. Isto acontece em Jesus (Hb 1.1,2); pois Deus agora falou definitivamente por Ele, que é o profeta por excelência. Experimentar a revelação por Jesus significa ser um com Deus mesmo.
         
Passagens fundamentais sobre a profecia no AT. Essas passagens ensinam importantes lições:
          1 – Êxodo 7.1-2: A mediação de modo algum reduz a autoridade da palavra profética.
          2 – Êxodo 4.15-16: A palavra do profeta é a própria palavra de Deus. A palavra é comunicada “boca a boca”; isso significa que Deus se preocupa não só em transmitir a palavra ao profeta, mas, através dele ao povo. A Palavra de Deus é preservada em sua autoridade quando se serve do profeta como veículo.
          3 – Números 12.6-7: A “visão” ou “sonho” do profeta tem sua origem em Deus e não na percepção humana. O profeta recebe a sua mensagem por meio de experiência revelatória (Jr 23.16 – falso profeta).
          4 – Deuteronômio 13.4-5: O teste mais básico do profeta é sua adesão às Escrituras. Profecia é a proclamação da verdade revelatória de Deus e, o entendimento moderno de profecia como proclamação “Não-revelacional” ou “semi-revelacional”, não encontra apoio nos textos fundamentais sobre profecia.
          5 – Deuteronômio 18: Qualquer substituição proposta para a palavra revelatória de Deus que é transmitida pela instrumentalidade de seu profeta é abominação ao Senhor e deve ser rejeitada (9-14). Hoje, devemos rejeitar qualquer profecia não-bíblica, pois qualquer esforço para substituir a palavra profética divinamente inspirada, pela palavra do homem falível, deve ser rejeitado.
          Esse texto também ensina (15-22): (1) que Deus levantaria profetas verdadeiros, em contraste com os falsos profetas que surgiriam; (2) que Deus levantaria um Profeta, semelhante a Moisés, porém maior que Moisés (At 3.22, 26). Se o próprio filho de Deus é agora o mediador profético do pacto, então o supremo propósito do pacto se consumou, pois receber a palavra da parte o Filho é recebê-la de Deus. A unidade entre Deus e seu povo pretendida pelo pacto foi estabelecida e o ofício profético encontra a sua realização final nessa única pessoa que é o Filho de Deus e o mediador profético do pacto. Cristo é o Profeta, Sacerdote e Rei, e estes três ofícios se cumprem nele.

Vejamos algumas considerações finais:
          1 – A palavra do profeta é a palavra infalível e inerrante de Deus; portanto, se dissermos que Deus fala ainda hoje por intermédio de profecias, estaremos comparando estas profecias às Escrituras, tendo elas a mesma autoridade. Teríamos que afirmar que a Bíblia não é nossa única regra de fé e prática.
          2 – O argumento de que a Bíblia não diz que estes dons cessaram, é falso, como veremos, e pode também ser usado ao contrário: a Bíblia não diz que eles deveriam permanecer, portanto não é errado pressupor que cessariam quando cumprissem a sua finalidade.
          3 – Um exemplo de um dom que todos concordam que cessou é o dom de apóstolos. Porque o de profecia e línguas não poderiam também cessar?
          4 – Os profetas são chamados de fundamentos junto com os apóstolos (Ef 2.20). O fundamento só está presente no início da construção; depois de lançados os alicerces, não se pode lançar de novo. Se profetas é um dom de fundamento, juntamente com apóstolo, e se apóstolo cessou, então não é errado crermos que profeta também cessou.
          5 – Quando se cumpriu a revelação do AT, cessaram os profetas porque a profecia é revelação (como testemunhado pelo historiador Flávio Josefo - que fala da falta de sucessão exata dos profetas, pelos rabinos judeus - que falam que depois da morte dos últimos profetas o Espírito se afastou de Israel; e pelos próprios livros apóscrifos (1Mac 9.27 - diz que há muitos anos não existiam mais profetas em Israel); logo, não é errado crer que quando se cumpriu a revelação do NT a profecia cessou.

Rev. Maurício de Almeida Soares



Dons miraculosos - Estudo 1 - considerações iniciais





I – Qual é o nosso propósito neste estudo?


          Primeiramente, para evitar equívocos, vamos deixar claro, qual NÃO É o nosso propósito:  
1 – promover discussões e polêmicas com os pentecostais;
2 – tentar “pescar no aquário dos outros”;
3 – que nos tornemos orgulhosos, ou nos achemos melhores do que os pentecostais.

          Agora sim, podemos esclarecer qual é o nosso propósito neste estudo:
1 – que cresçamos no conhecimento da Palavra de Deus e sejamos mais comprometidos com ela;
2 – que saibamos por que cremos no que cremos e fazemos o que fazemos;
3 – que possamos discipular os novos crentes da igreja;
4 – que nos preparemos para responder a quem nos pedir a razão da nossa esperança (1Pe 3.15);
5 – que sirvamos ao Senhor e à igreja com os dons que ele nos concedeu.


II – Ao afirmar que não há mais profecias e línguas hoje, NÂO estamos dizendo:
1 – que os pentecostais são falsos e mentirosos;
2 – que não são crentes sinceros, que amam a Deus e sua Palavra;
3 – que os fenômenos chamados de línguas e profecias no meio pentecostal são obra do diabo;
4 – que somos melhores do que nossos irmãos pentecostais;
5 – que não haja nada de bom no meio pentecostal;
6 – que não tenhamos nada a aprender com nossos irmãos pentecostais.


III – A manifestação de dons miraculosos (profecia, línguas, curas):
1 – não é indicativo de santidade (1Co 3.1-3; 5.1-2)
2 – não é indicativo de espiritualidade (1Co 3.1-3; )
3 – não é indicativo de maturidade na fé (1Co 3.1-3; 13.11; 14.20)
4 – não é indicativo de ser guiado pelo Espírito ou ser cheio do Espírito (1Co 3.3; Ef 5.18)
5 – não é indicativo da presença do fruto do Espírito e não tem valor sem ele (1Co 13; 2Co 6.11-13)
6 – não é indicativo nem mesmo de que a pessoa é verdadeiramente um crente (Mt 7.22-23)
7 – não é indicativo de que há união e comunhão na igreja (1Co 1.10-13; 11.18)
8 – não é indicativo de que o culto é “abençoado” (1Co 11.17; 34)
9 – não é indicativo de que houve edificação no culto (1Co 14.1-5, 12, 17, 19, 26)
          Não ter estes dons não é indicativo de não ser batizado com o Espírito (At 2.37-47; 1Co 12)


IV – O que são os dons espirituais?
São simples ferramentas dadas para a obra do ministério com a finalidade de edificar a igreja (Ef 4.11-16).


V – Qual o efeito que as manifestações miraculosas exercem sobre os crentes e incrédulos?:
1 – Não são as manifestações miraculosas que convertem o pecador (Jo 11.45-46). Em muitos casos elas só endurecem ainda mais o coração dos incrédulos (Mt 11.20-24 – lembre-se do caso de Faraó).
2 – Para um crente amadurecido, manifestações miraculosas não farão sua fé maior, porque ele sabe em quem tem crido (2Tm 1.12). A falta de milagres e as adversidades da vida também não farão sua fé menor (Hb 3.17-19; Jo 20:29; Hb 11.1).


VI – Alguns princípios importantes que devem nortear nosso estudo sobre os dons:
1 – “Não aceitar nem rejeitar sem antes examinar a questão” (Bacon).
2 – O exame que devemos fazer é nas Escrituras (At 17.11). Não devemos basear nossa fé em experiências, não importa quão extraordinárias sejam; o que cremos ou deixamos de crer deve estar baseado no que a Bíblia diz: O que a Bíblia disser está dito. Devemos interpretar as nossas experiências à luz das Escrituras, e nunca o contrário.
3 – Não podemos examinar a Bíblia com “os óculos do nosso preconceito”: Não podemos ir à Escritura com um conceito já formado em mente, procurando apenas provar que estamos certos.
4 – Precisamos meditar em profundidade sobre um texto ou assunto, aplicando as regras de interpretação bíblica (hermenêutica), para que cheguemos à compreensão da verdade (2Co 13.8).

Rev. Maurício de Almeida Soares