sábado, 16 de maio de 2009

Vou-me embora pra Pasárgada

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei...
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz...
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização...”

Eis aí alguns versos de Manuel Bandeira que revelam a expressão do anseio humano de uma vida melhor em um lugar melhor.
Onde fica Pasárgada? É um lugar que não se acha no mapa. Pasárgada é São Paulo para o nordestino pobre que sai em busca de emprego e dignidade. Pasárgada é um lugar longe daqui, onde imaginamos que não há os problemas que existem aqui. Um lugar pelo qual, quando enfrentamos transtornos, suspiramos dizendo: “vou-me embora...”
Conheço muitos crentes que, por qualquer coisinha, ou mesmo por uma “coisona” vivem suspirando como o Manuel: “Vou-me embora prá Pasárgada (igreja tal), lá não me tratam assim, lá não é como aqui, lá sou amigo do rei.”
Pois eu, sim, já me cansei deste tipo de coisa, e desse tipo de crente. Chegou a minha vez de dizer: “Vou-me embora pra Pasárgada. Lá não tem crente doído, fofoqueiro, mentiroso, que fala mal da igreja e dos irmãos pra Deus e o mundo (principalmente pro mundo); lá não tem desamor, desunião, nem obras da carne. Em Pasárgada tem tudo: Avivamento; Fruto do Espírito; crentes que vivem como irmãos de verdade, que prestam contas uns aos outros; lá todos se amam e todos amam a igreja. Lá o grupo de louvor louva; os crentes ouvem a Palavra e se submetem; lá o amor é o oxigênio do Reino; lá há perdão e tolerância; lá sou amigo do Rei.”
Vou-me embora pra Pasárgada; mas não pra outra igreja, pois aí também eu encontraria problemas, crentes-problema e continuaria eu mesmo a ser um problema.
Como então chegar a Pasárgada? Lá só se chega morrendo: “se um grão de trigo não for jogado na terra e não morrer, ele continuará a ser apenas um grão. Mas, se morrer, dará muito trigo.” (Jo 12.24); “E Jesus disse aos discípulos: —Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe.” (Mt 16:24); “Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus para que também a vida dele seja vista no nosso corpo.” 2Co 4:10
Manuel Bandeira não era crente e, para ele, Pasárgada era um lugar onde encontraria “prostitutas bonitas pra namorar”; era um lugar onde poderia dar lugar à carne. Mas eu sou crente e para mim, Pasárgada é exatamente o oposto disso: um lugar onde a carne não tem lugar; um lugar onde eu já morri.
A Igreja será Pasárgada quando Deus nos jogar por terra, com a boca no pó, nos humilhar e nos deixar lá até que a gente morra. É mais fácil fugir que morrer, mas é impossível dar fruto sem morrer.
“Oh, Deus, quero ir-me embora pra Pasárgada. Leva-me pro céu ou traga o céu sobre mim. Leva-me pra glória ou então faz descer a tua glória sobre a Igreja. Aperfeiçoe-me na morte de uma vez, ou mate meu ego para que Jesus viva em mim. Leva-me na morte agora, ou me ajude a morrer a cada dia, para que eu possa dizer: já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim”
Estou indo embora pra Pasárgada, lá sou amigo do Rei Jesus. Vamos juntos?
Pr Maurício

2 comentários:

  1. Excelente!!!
    Gostei muito mesmo.
    Abraços de quem tb tem saudade de Passargada e anseia por chegar o mais depressa possivel em seus portões.
    Marcelo.

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