domingo, 20 de dezembro de 2009

O NATAL E SEUS SÍMBOLOS







            Para celebrarmos corretamente o Natal, precisamos conhecer o significado de seus símbolos e ensiná-los à nossos filhos, netos, amigos e familiares. Numa época em que se tem perdido o sentido do Natal, e muitos, nessa data, tem se esquecido de Jesus; é necessário que resgatemos o verdadeiro Natal.

            A Data do Natal: A Bíblia não registra o dia do nascimento de Jesus. Ela apenas diz que era noite e que os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos. É possível que Jesus tenha nascido em maio, junho ou outubro (épocas propícias para o pastoreio nos campos da Judéia, o que não é possível em dezembro devido às baixas temperaturas e chuvas).
Porque, então, comemoramos o Natal no dia 25 de dezembro? Devido às seguintes questões:
1 – Se tornou tradição a data desde que, em 204, Hipólito escreveu que Jesus nasceu em 25 de dezembro.
2 – Por decisão do Imperador Aureliano, desde 274, 25 de dezembro era celebrado como o nascimento de Mitra, o deus iraniano da Luz, ou como os romanos diziam, o “Sol Invicto”. Quando os cristãos se tornaram maioria no Império, desejaram ter suas datas importantes e comemorativas, e se possível anular as comemorações pagãs tão ofensivas à verdadeira fé. Se não podiam anular a festa pagã, desejaram substituí-la pela comemoração do Natal de Jesus, pois essa já era a data considerada como tal. A intenção da Igreja era fazer desaparecer, com o tempo, o culto a Mitra, o que de fato ocorreu, salientando que o verdadeiro Deus e a verdadeira Luz é Jesus (Lc 1.78-79; Ml 4,2). 
3 – No ano 353, segundo se tem notícia, foi comemorado, pela primeira vez, em 25 de dezembro, o Natal. Assim, o costume se popularizou até que em 530 o Imperador Justiniano oficializou a data.
Não precisamos ter dúvidas quanto a celebrarmos o Natal nesta data; podemos e devemos celebrá-lo, pois já a 1800 anos é ensinada esta como a data comemorativa do Natal. De qualquer forma o que importa não é a data, mas o espírito do Natal que todo cristão precisa conhecer e viver com sinceridade.

Veja abaixo o significado de alguns dos símbolos natalinos:






Arranjos secos: Sementes ou cachos secos são usados na comemoração natalina. Eles expressam que sem Jesus não há vida. A comemoração do Natal deve começar com estes arranjos, pois sem Jesus realmente não há vida. Esses arranjos secos são muito expressivos por nos levar a considerar a necessidade que cada um tem de se apropriar da vida oferecida por Jesus (João 3:36; 5.24; 6.53-54; 20.31) 




Coroa: É uma ramada verde de cipreste, ornada em círculo e atada com fita vermelha e adornada com quatro velas. Como símbolo natalino tem um significado muito expressivo: o verde simboliza a vida e a esperança; o círculo simboliza o tempo (a história humana); as velas, separadamente, representam as grandes manifestações de Deus na história de seu povo e as quatro em conjunto anunciam que Jesus, a Luz do mundo já veio; a fita simboliza a aliança de Deus com seu povo escolhido (Jo 1.4-5 e 9; 3.16).
            


Sinos: estão presentes em várias culturas e religiões, em festividades, para expressar alegria, para convocar os adoradores, ou exaltar pessoas muito distintas. Antigamente, quando uma grande autoridade chegava a uma cidade os sinos tocavam em honra a ela, bem como anunciando sua chegada e convocando o povo a ir ao seu encontro. Assim, os sinos expressam o júbilo quanto ao nascimento de Jesus, exaltando sua pessoa e obra, bem como anunciam a sua vinda e são a expressão de convocação, para que todos nele possam ser congregados e por ele beneficiados (o nascimento de Jesus e anunciado com esperança e festa no AT e com alegria no NT: Gn 3.15; Is 9.6-7; Ml 4.2; Jo 1.14; Mt 2.9-11; Lc 1.26-35, 46-47, 67-79; 2.8-20; 2.25-32).
           


Estrela: É um anúncio do nascimento de Jesus. Representa a estrela que guiou os magos, e mostra a condição, o meio para encontrar Jesus. Simboliza ainda que a possibilidade de encontrá-lo é estendida a todos (Mt 2.1-11). A estrela também aponta para a divindade e singularidade de Jesus, pois quem, por mais importante que fosse, teve o seu nascimento anunciado por uma nova estrela? Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores.
            


Presépio: é uma representação do local do nascimento de Jesus, a humildade daquele que para nos salvar, se sujeitou à pobreza e humilhações, ao ponto de começar sua estadia entre nós, nascendo num ambiente tão precário, um estábulo e não um palácio real (Lc 2.1-7).



            Luzes de Natal: Representam a vinda de Jesus como a Luz do mundo. Como a luz dissipa as trevas ele desfaz as trevas e implanta a sua luz; felizes os iluminados por ele, que andam na luz (Jo 1.4-9; 8:12; Mt 4.16; Lc 1.78-79; Ml 4,2).




Árvore de Natal: É bastante significativo o uso de árvores como o pinheiro, que mesmo nas estiagens e no inverno rigoroso, se mantém sempre verde. Usa-se adereços que representam frutos ou outras manifestações de vida, pois o sentido maior desse símbolo é que em Jesus se tem vida em todas as circunstâncias. Nele, independentemente da situação, o crente tem vida, está cheio de seiva e verdor espirituais, e frutificando na graça. O inverno representa a morte; como o pinheiro permanece verde nesta época, ele representa a vida eterna. Os frutos pendurados na arvore representam também o Fruto do Espírito (Jo 1.4; 6.40, 10.10, 11.25; Sl 1.3 e Gl 5.22-23).
A primeira árvore de Natal, iluminada com luzes, de que se tem notícia, foi com o grande reformador Martinho Lutero e sua família, no Natal de 1525.
Obs: esta foto acima é da árvore que fica na Lagoa da Pampulha em BH; coloquei esta em homenagem à minha esposa Suzana, que é de lá.




            Presentes de Natal: O uso de presentes nessa ocasião é a comemoração do maior presente já recebido pelo homem, que é a salvação em Jesus. Ao darmos ou recebermos presentes, devemos sempre nos lembrar da grande dádiva de Deus Pai: Jesus (Jo 3.16).


Cartões: lembram o nascimento de Jesus e a fraternidade dos cristãos. Todos os verdadeiros cristãos são um corpo e uma família em Cristo Jesus.

Ceia de Natal: É a refeição familiar na noite de Natal, celebrando fraternalmente a dádiva da vinda de Jesus e a união que temos nele. A ceia representa a alegria pelo nascimento de Jesus e a celebração da comunhão que só em Jesus é possível; além de lembrar que ele veio para ser Senhor de nossa casa. A ceia nos lembra também que Jesus é o Pão da vida, que ele é o verdadeiro alimento, alem de lembrar que é através dele que temos a vida (Jo 6.33-35, 48 a 58).

Há ainda o “Papai Noel”. Essa figura é a mais popular do Natal, apesar de estar cercada de superstições e crendices. Está baseada na mistura da história da vida de um cristão devoto chamado Nicolau (que viveu no 4º século, na Ásia Menor, e usava sua fortuna para fins filantrópicos socorrendo os que tinham necessidades) e em crendices pagãs como a de “Chowangshin” (o deus do fogo cultuado na Coréia, Japão e China), que seria o vigia do povo, que no final do ano subia ao céu, pela chaminé das casas para apresentar seu relatório ao rei do céu e de lá voltava (pela chaminé, vestido de vermelho) trazendo as bênçãos ou maldições conforme os merecimentos de cada um. Coincidência? Acho que não!

CONSIDERACOES FINAIS:
     1 – Podemos e devemos celebrar o Natal com todos os seus símbolos, mas devemos fazer isso ensinando o significado dos mesmos.
     2 – Precisamos entender que o Natal não é um dia santo. Os verdadeiros cristãos tem apenas um dia santo, o primeiro dia da semana. Podemos celebrar o Natal, desde que ele não adquira para nos o caráter de dia santo, que deve ser guardado como uma ordenança; porque este lugar é do domingo.
     3 – Esta época deve ser um tempo para se meditar no relacionamento do homem para com Deus; e não, como muitos o pensam hoje, no relacionamento do homem para com os outros homens.
     4 – Devemos ter em mente que, mesmo nós, podemos incorrer no erro de desvirtuar o Natal, quando:
   A – gastamos tanto com presentes que deixamos de dizimar ou ofertar neste mês por causa das dividas contraídas. Não faz sentido que no Natal demos presentes para todo mundo e nos esqueçamos do Aniversariante e desamparemos a sua Igreja.
   B – Cometemos o pecado da gula ao participarmos da ceia de natal.
   C – Não ensinamos a nossos filhos o verdadeiro significado do Natal e de seus símbolos.
   D – Não aproveitamos a ocasião para evangelizar nossos amigos e parentes.
   E – Não fazemos de Jesus, sua encarnação, nascimento, morte, ressurreição e ascensão o centro de nossa vida, todos os dias do ano.
   F – Não entendemos, ensinamos e enfatizamos que a razão pela qual Jesus nasceu foi dar a vida na cruz para nos salvar (Jo 12.27).
   G – Nos esquecemos de que o que comemoramos no Natal não é apenas o nascimento de Jesus, mas a encarnação do Filho de Deus; o ato pelo qual o próprio Deus assumiu a natureza humana (Jo 1.14).
     5 – O Papai Noel tem roubado o lugar de Jesus no Natal, pois quando se pensa em Natal, geralmente não se pensa em Jesus, mas no “bom velhinho”; por isso precisamos repensar o seu uso. Mas, apesar de não usarmos o Papai Noel, podemos ensinar a nossos filhos a sua origem baseada na generosidade do cristão Nicolau e podemos colocá-lo como um símbolo de que Deus nos ama e nos deu o presente maior Jesus; assim, daremos a ele uma ligação com Cristo.  




Com ou sem ceia, presentes ou árvore, um Feliz Natal!!!


Rev. Maurício
Bibliografia:
1 – Fonsêca , Rev. Salvador Moisés da. “O Natal e sua celebração”. CEIBEL, 2001
2 – Arguri, Francisco. “A Pura Verdade sobre o Natal”. Editora Fonte Eterna.
3 – Vários artigos da internet: http://tempora-mores.blogspot.com/search?q=natal (Neste endereço você encontra artigos que combatem a idéia de que os cristãos não devem celebrar o Natal; especialmente o entitulado “Calvino Contra o Natal”, do Presb. Solano Portela e “Não sou totalmente contra o Natal” do Rev. Augustos Nicodemus).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dons miraculosos - estudo 8 - A Posição Oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) sobre os dons miraculosos (parte 1)


Tendo visto, de um modo geral, o ensino bíblico sobre os dons miraculosos, como pastor da IPB, quero mostrar que esta não é apenas a minha opinião, mas da Igreja.
 



A Confissão de Fé de Westminster: (Este é um dos símbolos de fé da nossa Igreja)
Revelação:
          “(...) foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois (...) foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” (Capítulo I, secção I).
          “(...) À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens (...)” (Capítulo I, secção VI).
          “(...) o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.” (Capítulo I, secção X).

          RESUMINDO: A Confissão de Fé da Igreja diz sobre a continuidade da revelação:
          1 – Deus já revelou toda a sua vontade ao seu povo (ele não tem mais nada a acrescentar ao que já disse).
          2 – Esta vontade revelada se encontra toda escrita na Bíblia.
          3 – Nada deve ser acrescentado; nem mesmo o Espírito Santo o fará.
          4 – O Espírito Santo fala hoje somente na Palavra.
          5 - Aqueles antigos modos de Deus revelar sua vontade (línguas, revelações, profecias, urim e tumim, sonhos) cessaram.



Dons miraculosos - estudo 7 - dons de curas






Não se pode provar pelas Escrituras que os dons miraculosos estejam presentes hoje na Igreja:
          Três considerações de peso sugerem que os dons miraculosos, como línguas e curas, não ocorrem hoje na Igreja:

          (1) O NT associa os dons miraculosos com o trabalho dos apóstolos enquanto lançavam as fundações da Igreja. O Senhor habilitou os apóstolos a fazer sinais e prodígios e milagres (falar línguas e fazer milagres, conforme Mc 16) a fim de confirmar o Evangelho que traziam e dar-lhes crédito como mensageiros do Evangelho. Estes sinais e prodígios eram as credenciais do verdadeiro apóstolo (At 14.3; 2Co 12.12; Rm 15.18-19; Hb 2.3-4). Uma vez que o trabalho e o testemunho dos apóstolos era o de lançar os fundamentos, algo que já foi feito e não pode se repetido, os dons miraculosos não são mais necessários hoje.

           (2) Não temos nenhuma ordem no NT de que a Igreja deve continuar manifestando os dons miraculosos do Espírito. Além de 1Co 12-14, não há a menor alusão ao dom de línguas ou de curas. Estes dons não aparecem em nenhuma lista de dons no NT além de 1Co 12-14; Nas epístolas pastorais são listadas as qualificações que devem ter os oficiais da Igreja; nenhum dos dons miraculosos são mencionados; o que é enfatizado nestas passagens são os dons não-miraculosos, como ensino e administração.

          (3) Há um declínio dos dons miraculosos no NT.
          I – O contraste entre os primeiros e os últimos escritos de Paulo:
          Os primeiros escritos de Paulo os mencionam com freqüência: 1 Tessalonicenses (escrita no ano 51) e Romanos (ano 57) mencionam profecia (1Ts 5.20 e Rm 12.6); 1 Coríntios (ano 55) menciona línguas, profecia e dons de curas e milagres (1Co 12.9-10).
          Nos últimos escritos de Paulo, estes dons já perderam a importância: 1Timóteo (ano 63-65), Tito (Idem) e 2Timóteo (ano 67-68) não fazem nenhuma menção a profecia, línguas ou dons de curar.
          II – O contraste entre os primeiros e os últimos anos do ministério dos apóstolos:
          Nos primeiros anos do ministério dos apóstolos vemos estes dons em evidencia; o mesmo não ocorre a partir da década de 60. Por exemplo, no ano 59 Paulo opera, na ilha de Malta, suas últimas curas registradas no NT (At 28.8-9). Depois disso os dons de curar, se não desapareceram por completo, pelo menos diminuíram na vida dos apóstolos, pois Filipenses 2.27 (ano 61) diz que Epafrodito adoeceu mortalmente e Paulo nada pode fazer; 1 Timóteo 5.23 (ano 63-65) diz que Timóteo sofria de frequentes enfermidades, das quais Paulo não o curou; 2 Timóteo (ano 67-68) diz que Paulo não curou a Trófimo (2Tm 4.20);

Contudo, Deus continua a curar hoje:
          Quando dizemos que os dons de curas cessaram, não estamos dizendo que Deus não cura de forma alguma hoje; ele cura quando quer em resposta às nossas orações.
          Contudo, algumas precauções devem ser tomadas:

          (1) Não devemos esperar que curas ocorram todas as vezes que oramos por enfermos. Os exemplos dados acima, ilustram bem o que estamos dizendo aqui (adicione-se a esses exemplos o de Paulo, que não foi curado do seu espinho na carne, possivelmente uma enfermidade física, a despeito de ter pedido três vezes).
          Quando oramos pela cura física de uma pessoa, precisamos lembrar que talvez não seja a vontade de Deus responder afirmativamente. Algumas vezes, como no caso do espinho na carne de Paulo, Deus quer usar uma doença ou deficiência para enriquecer a vida espiritual de uma pessoa (Rm 5.3; Hb 12.4-11). Quem sabe que razões mais Deus tem para não retirar uma enfermidade? A Bíblia diz que seus caminhos e pensamentos não são os nossos.

          (2) – Quando a pessoa pela qual oramos não for curada não podemos dizer que ela não teve fé suficiente. Ninguém pode dizer que Paulo não foi curado por falta de fé. A fé genuína está pronta para se submeter à vontade do Senhor.
         
            (3) – Não podemos permitir que curas se tornem o centro do nosso culto. A principal visão para a pregação e oração deve sempre ser a salvação dos pecadores e o equipamento dos crentes para o serviço do Reino. A busca por curas nunca pode suplantar a tarefa de trazer os filhos perdidos para a casa do Pai.

Dons Miraculosos - Estudo 6 – Línguas hoje? (parte 3)



O testemunho de Marcos:




          No final do Evangelho de Marcos, está registrado o grande desafio que Cristo deu aos seus discípulos e apóstolos: ir e pregar o Evangelho em toda a terra. Para dissipar qualquer temor que eles tivessem, Jesus completa dizendo: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: (1) em meu nome, expelirão demônios; (2) falarão novas línguas; (3) pegarão em serpentes; (4) e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; (5) se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.”
          Jesus diz em Marcos que o dom de línguas é um sinal. Sinal é um milagre pelo qual Deus almeja mostrar algo específico e que tem algum significado moral ou espiritual.
          O Evangelho era algo novo, e como sempre fez ao anunciar uma nova mensagem, Deus a autenticou com sinais exteriores de poder:
          Veja alguns exemplos do fato de que Deus autentica o novo por meio de sinais:
          Êxodo 4 – os sinais dados a Moisés mostram: a mensagem que ele traz é divina.
          1 – Quando Jesus iniciou seu ministério os judeus quiseram saber que sinal ele fazia para demonstrar que sua mensagem era verdadeira (João 2:18).
          2 – Quando João Batista enfrentou dúvidas e mandou perguntar se Jesus era mesmo o Cristo, Jesus falou sobre os sinais que operava como evidência da veracidade de sua mensagem (Mt 11.4-6).
          3 – Estes sinais foram, também, operados pelos discípulos, a partir do Pentecostes, para confirmar que o ministério deles procedia de Deus. Lembre-se: Deus confirma o que é novo mediante sinais.
          Devemos levar em consideração, ainda, que quando estes sinais se manifestaram, não havia, sido escrita nenhuma linha do NT. Tudo repousava sobre a palavra falada, a qual precisava de confirmação. O último versículo de Marcos deixa claro que este era o propósito daqueles sinais:
“E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.” (Mc 16.20 – veja também Hb 2.3-4).

O testemunho de 1Co 14.21-22: “De sorte que as línguas constituem um sinal”. Paulo aqui cita um texto do AT que falava sobre línguas para mostrar que as línguas são um sinal para os íncredulos.

O que este sinal comunicava?
1 – As línguas eram um sinal de juízo para Israel: Vejamos alguns textos do AT que falam de línguas como um sinal de juízo para Israel:
          Deuteronômio 28.49: “O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra virá, como o vôo impetuoso da águia, nação cuja língua não entenderás;”
          Isaías 28.11: “Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SENHOR a este povo (...) mas não quiseram ouvir.”
          Jeremias 5.15: “Eis que trago sobre ti uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o SENHOR; nação robusta, nação antiga, nação cuja língua ignoras; e não entendes o que ela fala.”
2 – As línguas eram um sinal de confirmação de algo novo que Deus estava fazendo: Antes Deus falava uma só língua a um só povo; agora ele fala todas as línguas a todos os povos. Não apenas o Evangelho é algo novo, mas o direcionamento dele a todas as nações. Antes Deus tratava com os judeus, agora com todos os povos. Indicava a benção de Deus a todos os povos da terra, inclusive Israel. As línguas indicavam que o cristianismo não era uma religião judaica, apesar de sua origem judaica.
3 – As línguas eram um sinal de confirmação do ministério apostólico: Conforme vimos em Marcos, as línguas era um dos sinais que seguiriam os apóstolos e autenticariam a sua mensagem.

À luz do fato de que as línguas são um sinal; devemos esperar línguas hoje?
          A característica óbvia do sinal é que ele é temporário. Podemos concluir que sendo um dos sinais, tendo cumprido a sua finalidade, as línguas cessaram.
          Porque precisaríamos de línguas hoje? Quem hoje confundiria o cristianismo com uma religião judaica?
          Para aqueles que querem defender a continuidade, respondemos, com base em Marcos 16, com uma pergunta: por que só o dom de línguas deveria continuar? Por que eles não pegam em serpentes ou bebem veneno? Por que não possuem o dom de curar? Obs: Deus cura hoje; mas ninguém pode determinar quando Ele o fará. Ora, se o dom de línguas permanece os outros sinais também.

CONCLUSÃO:
          As línguas cessaram por que: (1) eram um sinal e como tal já cumpriram seu propósito; (2) eram revelacionais e se tornaram inúteis quando a Escritura se completou; (3) eram o dom de falar idiomas estrangeiros não aprendidos, o que não ocorreu em nenhum outro momento da história, nem mesmo hoje entre os pentecostais.

Pedir Maiscedo



Enquanto isso, no Palácio da Injustiça!!!

Dons Miraculosos - Estudo 5 – Línguas hoje? (parte 2)






 


As línguas no NT eram idiomas estrangeiros: Respondendo a objeções baseadas em 1 Coríntios:
          Paulo fala em 1Co 13 sobre a língua dos anjos! Paulo está extrapolando, e não afirmando que alguém fala de fato a língua de anjos. É obvio que ninguém fala todos os idiomas humanos; nem tem fé que possa transportar montes; nem conhece todos os mistérios de Deus e tem um conhecimento perfeito e completo sobre Deus. Além disso, sempre que os anjos aparecem na Bíblia eles falam uma língua humana que pode ser entendida. Se os anjos falam com os homens em idiomas humanos, que lógica teria homens falaram língua de anjos a outros homens. Na verdade sabemos que aqui as línguas são idiomas humanos estrangeiros, pela abordagem que Paulo faz do dom de línguas, profecia, ciência e fé.
          As línguas não são idiomas estrangeiros, pois 1Co 14.2 diz que quem fala em línguas fala a Deus e não a homens! Na verdade, acontecia em Corinto algo muito parecido com o que aconteceu em At 2: no Pentecostes  alguns entendiam o que era dito, pois era dito em seu próprio idioma, enquanto outros, que não falavam nenhum daqueles idiomas, não entendiam (At 2.11-13). A diferença entre Pentecostes e Corinto, é que neste último não estavam representados os idiomas como no Pentecostes, por isso, quando alguém se levantava falando em outro idioma ninguém o entendia, exceto Deus, que entende todos os idiomas. Paulo aqui faz uma crítica a esse procedimento dos coríntios, pois o dom de línguas é para a edificação da Igreja e não de si mesmo; e é para ser entendido (1Co 14.16-17, 27-28).

As línguas no NT eram revelacionais: Diversas considerações apontam para esta conclusão:
          O uso do termo mistério em 1 Coríntios 14 e no restante do NT: Mistério é uma verdade sobre o método divino de efetuar a redenção que outrora esteve oculta, mas agora foi revelada. Um mistério no NT é um fenômeno revelacional (Mt 13.11; Rm 11.25; 16.25-26; 1Co 2.1,7; 4.7; 1Co 15.51; Ef 1.9; 3.3,9; 6.19-20; Cl 1.25-26). Das 28 vezes que o termo mistério é usado no NT, 27 se referem a algo que outrora esteve oculto, mas que agora foi revelado. O cristianismo não é uma religião de mistério! A meta do cristianismo é que tudo seja amplamente aberto, compreendido e conhecido. Portanto, quando Paulo diz que o que fala em língua fala mistério, ele diz, não que ele oculta a verdade, mas comunica a verdade que se lhe fez conhecida por divina revelação. As línguas foram um instrumento de Deus para transmitir a revelação. Por isso Paulo critica o uso que os coríntios faziam das línguas, pois um irmão proclamava a verdade que recebera por revelação, mas não edificava a igreja, pois, sem tradução, ninguém entendia.
          As línguas interpretadas são equivalentes à profecia: falar em línguas é equiparado à profecia se houver interpretação; uma vez que profecia é um dom revelacional, segue-se que as línguas também o são (1Co 14.4-5). Uma vez interpretada a mensagem em língua era a própria voz de Deus para o povo.
          A profecia de Joel e seu cumprimento em At 2: Joel disse que nos últimos dias o Espírito viria sobre todos os crentes e esses profetizariam (At 2.17-18). O que aconteceu no Pentecostes, os crentes falaram em línguas ou profetizaram? Eles falaram em línguas e Pedro disse que isso era o cumprimento da profecia de Joel, isso porque falar em línguas é profetizar.

          Conclusão:
          A menos que uma pessoa esteja disposta a admitir a continuidade da revelação além das Escrituras, as línguas que se manifestam hoje não podem ser consideradas as mesmas existentes no NT.

As línguas no NT eram para uso público, não privativo! Todos os dons visavam a edificação da igreja, e não somente do indivíduo. Um dom era concedido a um indivíduo para que ele proporcionasse benção ao povo de Deus. Por meio de um dom do Espírito uma pessoa é capacitada para ministrar a outras. Disso, obviamente se conclui que os dos não são para uso particular, mas público (1Co 12.4-7). É assim que Paulo compara a igreja a um corpo: a cada parte do corpo é dada uma função por meio da qual pode beneficiar todo o corpo.
          Com este pano de fundo em mente, analisemos 1Co 14.18-19:
          “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua”. O contraste de Paulo aqui não é entre línguas para uso privativo e público, mas entre aqueles que estavam ansiosos por promoverem línguas em Corinto, e o uso do dom para o progresso do Reino.
          Vejamos ainda o verso 28:
          “Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus”. A questão aqui não é se o crente deveria usar língua privativa ou publicamente, mas quando ele poderia falar publicamente em língua.

          Conclusão: As línguas como muitos as usam hoje, privativamente, não pode ser o mesmo dom do NT, pois no NT as línguas eram para uso publico.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 4 – Línguas hoje? (parte 1)



Análise dos textos bíblicos

As línguas no NT eram idiomas estrangeiros: Vejamos alguns textos:
          Atos 2.1-13: Este é o texto áureo sobre o dom de línguas e qualquer entendimento sobre o que é este dom deve partir deste texto. É neste momento que o Espírito vem sobre a Igreja no Pentecostes e concede o dom de línguas. Fica bem claro nesse texto que as línguas eram idiomas estrangeiros (6-11), por que: (1) é dito que os ouvintes eram de diversas partes do mundo e falavam diferentes idiomas (5 e 9-11); (2) é dito que os cristãos, apesar de serem todos judeus, começaram a falar nos idiomas dos seus ouvintes.
RESUMINDO: o milagre no Pentecostes foi que cada crente falou num idioma que nunca havia aprendido.
          Até mesmo os pentecostais hoje admitem que o dom de línguas em Atos 2 era idiomas estrangeiros. Eles, contudo, dizem que posteriormente, na Igreja, o Espírito concedeu um outro dom de línguas diferente do que ocorreu em Atos 2.
          ATENÇÃO: O livro de Atos não possui nenhum indicador de que um tipo diferente de dom de línguas do que é descrito em Atos 2 se manifestou após o Pentecostes. Aliás, a evidência aponta exatamente na direção contrária; ou seja, o dom de línguas que se manifesta posteriormente na Igreja é o mesmo dom que ocorreu no Pentecostes: idiomas estrangeiros.
          Atos 10.44-48; 11.15-18: Pedro declara enfaticamente que o dom de línguas que Cornélio e os seus receberam era o mesmo dom que eles haviam recebido em Pentecostes, ou seja, idiomas estrangeiros. Pedro inclusive faz desse fato a base para batizar gentios incircuncisos; e usa este fato para convencer os judeus em Jerusalém de que aos gentios fora dado o arrependimento e o derramamento o Espírito. 
          Atos 19.1-6: Se o dom de línguas manifestado em Éfeso fosse diferente do que foi manifestado no Pentecoste e na casa de Cornélio, Lucas certamente o teria registrado. Ao contrário, Lucas simplesmente diz que começaram a falar em línguas (glossa – o mesmo termo usado para o dom de línguas no pentecostes). O silencio de Lucas quanto a esse assunto só nos deixa com uma explicação: o dom de Línguas em Éfeso foi o mesmo dom visto no Pentecostes: idiomas estrangeiros.
          ATENÇÃO: duas observações importantes: (1) o episódio em Éfeso ocorreu depois da estada de Paulo em Corinto; logo o dom de línguas em Corinto é também idiomas estrangeiros como ocorreu nos outros casos. Lucas nada registra sobre o dom de línguas em Corinto, mas, dado o seu zelo e a sua fidelidade histórica, se o dom de línguas manifesto em Corinto fosse um dom diferente do Pentecostes, Lucas certamente o teria registrado; (2) Paulo plantou tanto a Igreja de Corinto quanto a de Éfeso, se o dom de línguas nestas duas igrejas fosse diferente do dom dado no Pentecostes, isso lançaria dúvidas sobre o apostolado de Paulo: porque na presença dos apóstolos de Jerusalém e sob a imposição de suas mãos se manifestava um dom de falar em idiomas estrangeiros, e na presença de Paulo, apenas uma fala extática? Logo, conclui-se que o dom de línguas em Corinto e Éfeso eram, também, idiomas estrangeiros.  
          Só resta um texto a ser analisado; 1Co 12-14: Uma das regras básicas da interpretação da Escritura é que a Escritura interpreta a Escritura. Ou seja, um texto mais claro lança luz sobre um texto mais obscuro. Uma vez que Paulo não menciona que o dom de línguas em Corinto era diferente do que se manifestou em Pentecostes, e em nenhum texto da Escritura se menciona a existência de outro dom de línguas que fosse diferente do que foi concedido no Pentecostes, é lícito que interpretemos 1 Coríntios 12-14 como tratando de um dom de falar em línguas estrangeiras, como em todos os outros textos. Contudo, fortes evidencias se apresentam neste texto: (1) o termo usado para línguas é o mesmo que foi usado para idiomas estrangeiros em Pentecostes (glossa); (2) Paulo cita um texto do AT que claramente fala de idiomas estrangeiros para explicar o fenômeno que ocorria em Corinto (1Co 14.21 – Is 28.11,12; Dt 28.49), o que deixa claro que as línguas manifestadas em Corinto eram idiomas estrangeiros, como havia sido profetizado no AT; (3) as línguas em Corinto eram traduzíveis (1Co 14), o que reforça a tese de que eram idiomas estrangeiros.
          Obs: alguns tem dito que estas línguas eram línguas de anjos; mas, em 1Co 13, Paulo está, claramente, extrapolando, e não afirmando que alguém fala de fato língua de anjos. É obvio que ninguém fala todos os idiomas humanos; nem tem fé que possa transportar montes; nem conhece todos os mistérios de Deus e tem um conhecimento perfeito e completo sobre Deus.
          CONCLUINDO: Não há nenhuma razão para crermos, sem distorcer o texto bíblico, que as línguas em Corinto eram línguas extáticas e não idiomas estrangeiros. Qualquer interpretação do dom de línguas em Corinto deve então, respeitar o próprio contexto da carta aos coríntios, bem como o restante das evidencias do NT: as línguas eram idiomas estrangeiros.
          Línguas hoje: À luz do que a Bíblia diz sobre o dom de línguas, concluímos que se este dom permanecesse hoje ele teria que ser o dom de falar em idiomas estrangeiros desconhecidos do orador. Mas, o que se vê hoje são, não idiomas estrangeiros, mas línguas estáticas. Os pentecostais, quando entram num povo ou tribo, precisam estudar e aprender o idioma tanto quanto os tradicionais. Portanto, o que se manifesta hoje não é o dom de línguas, e, somos forçados a concluir, não é um dom do Espírito; logo, proibi-lo na igreja não é desobedecer a ordem de Paulo de não proibir o falar em línguas (1Co 14:39)

Rev. Maurício de Almeida Soares



  

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mover de Deus???






É preciso lamentar e chorar!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dons Miraculosos - Estudo 3 – Profecia hoje?



O profetismo no NT

Profecia sobre profecia no AT:
          A clássica “profecia sobre profecia” de Joel 2.28, liga a experiência profética do AT com o fenômeno de profecia no NT. Com base nessa passagem podemos afirmar que o fenômeno da profecia no NT é, essencialmente, o mesmo do AT; ou seja, profecia no NT não é algo diferente do que ocorria no AT.
          Joel, antecipando o futuro, o tempo do NT, diz que nesse tempo haveria uma efusão de profecias. Será que Joel está falando de um novo tipo de profecia? Será que está dizendo que a profecia no tempo do NT seria uma experiência diferente da profecia no AT? Certamente que não. Veja as considerações que podemos extrair de Joel 2.28:
          1 – A palavra para profecia aqui é a mesma que aparece nos textos do AT sobre profecia.
          2 – Joel fala que esta palavra profética viria ao profeta por meio de “sonhos” e “visões”. De onde Joel tira esta idéia de sonhos e visões? Foi ele o inventor de tais conceitos? Não; Joel se refere ao texto de Nm 12.6-7; mostrando que a natureza da palavra profética no NT é a mesma à qual Moisés se referiu.
          3 – É portanto, muito apropriado que, a vinda do Messias fosse acompanhada de uma efusão sem precedentes do Espírito Santo trazendo muitas novas revelações de Deus.

A profecia no NT: O NT menciona a prática profética na Igreja e o entendimento apostólico sobre profecia:
1 – O testemunho de Atos dos Apóstolos:
          A – Pedro diz que esta profecia de Joel se cumpriu na efusão do Espírito no Pentecostes (At 2.16). Os discípulos não tiveram alucinações, nem falsas profecias, nem uma experiência subjetiva de intuição da verdade. NÃO! Eles tiveram uma experiência revelatória, tal como as dos profetas do AT.
          B – Em At 11.27-28, Ágabo prediz uma grande fome. Esta profecia, imediatamente, se torna a base para a ação concreta da igreja em Antioquia que providencia socorro para os irmãos da Judéia (29-30). Esta experiência de Ágabo se encaixa na experiência do AT. Ele pronunciou a sua predição com base numa revelação direta do Espírito Santo; pois de nenhum outro jeito ele conheceria o que viria.
          C – Em At 21.8-11, Ágabo diz que Paulo seria preso em Jerusalém. De nenhuma outra forma Ágabo saberia desse fato senão por uma revelação direta de Deus, tal qual a do AT. Além disso, a fórmula usada por Ágabo “Assim diz o Espírito Santo” (NVI), é similar à usada pelos profetas do AT. Portanto, o profeta no NT, tanto quanto no AT é o instrumento da revelação divina.

2 – O testemunho das cartas de Pedro: Em 2Pe 1.20-21, Pedro trata sobre o assunto profecia:
          A – A profecia não é algo humano, uma percepção humana da verdade sujeita a erros (não “provém de interpretação pessoal”, nem tem “origem na vontade humana” NVI). Toda profecia autentica é assim.  
          B – Toda profecia era a própria Palavra de Deus (“da parte de Deus”, v. 21).
          C – O que Pedro diz sobre a profecia não se aplica apenas à profecia escrita, mas à falada também.
          D – O profeta era passivo na comunicação da palavra profética. Ele era “movido” (RA) ou “impelido” (NVI), ou seja, arrastado pelo Espírito Santo. Isso significa que o profeta não contribuía em nada para o movimento de indução, ele era o objeto a ser movido; era impelido pelo Espírito como um barco pelo vento

3 – O Ensino de Paulo:
          1Co 14.29-33: 1 Coríntios foi escrito num período em que muito pouco do NT havia sido escrito; a igreja necessitava de uma palavra autoritativa do Senhor para direcionar o padrão de vida sob o novo pacto. É provável que os coríntios não tivessem nenhum escrito do NT para direcioná-los. É neste contexto que Deus levanta profetas na Igreja, que traziam, da parte de Deus, revelações autoritativas, infalíveis e inerrantes das verdades da era do novo pacto. A experiência profética que trouxera a palavra de Deus à comunidade do antigo pacto, agora comunicava a verdade acerca desta nova era à comunidade do novo pacto.

CONCLUSÕES: À luz do que a Bíblia, no AT e NT, ensina sobre profecia, podemos concluir:
          1 – Qualquer discussão sobre profecia hoje deve começar com a longa história do caráter revelacional desse dom. Deus é o originador da genuína palavra profética.
          2 – Deve-se ter em mente as advertências bíblicas concernentes aos perigos da falsa profecia.
          3 – Portanto, somos forçados a afirmar que: (1) se há profecia hoje, ela tem a mesma autoridade da Escritura (o que traz sérios perigos); (2) se não há profecia hoje, no sentido bíblico do termo, autoritativa, infalível e inerrante, então, o que há são falsas profecias e falsos profetas; não há meio termo possível: ou os profetas hoje falam com a autoridade do próprio Deus, ou eles falam somente por si mesmo.
          4 – Afirmar que haja hoje uma espécie diferente de profecia (que não é autoritativa, infalível e inerrante) do que havia nas Escrituras, além de não ter base escriturística, coloca-nos numa posição insustentável: (1) destrói a distinção entre o genuíno e falso profeta; (2) transforma o povo de Deus em vítimas do erro mesclado com a verdade: se é falível, como saber o que Deus quer? (3) Finalmente, o caráter revelacional da própria Escritura poderia ser definido nestes termos confusos: uma revelação-não-revelacional; palavra de Deus misturada a erros humanos.

Rev. Maurício de Almeida Soares